Descoberto que o sistema imunitário contribui para a obesidade

Estudo publicado na revista “Nature Medicine”

11 outubro 2017
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Investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) descobriram uma nova população de células do sistema imunitário que contribui para a obesidade, abrindo uma nova janela para o tratamento da doença.
 
Segundo divulgou a agência Lusa, as células em causa destroem a norepinefrina, um neurotransmissor (substância química) libertado pelos neurónios simpáticos (células do sistema nervoso) e que induz a redução de massa gorda.
 
A estas células específicas a equipa liderada por Ana Domingos, do Laboratório de Obesidade do IGC, deu o nome de macrófagos SAMs. 
 
Os macrófagos são células que, quando funcionam normalmente, protegem o organismo de infeções. Ganharam, no entanto, a designação de SAMs, por estarem em contacto com os neurónios simpáticos, interferindo no processo de perda de massa adiposa.
 
Ana Domingos comparou estes macrófagos a um aspirador que suga a norepinefrina com um tubo de sucção, a proteína SIc6a2, e que depois a destrói como se fosse uma incineradora. A proteína foi identificada depois de feita uma análise genética aos macrófagos, explicou.
 
Numa experiência com ratinhos, a equipa de investigadores verificou que os roedores obesos, por manipulação genética ou alimentados com uma dieta rica em gorduras, tinham mais macrófagos SAMs do que os que possuíam peso normal.
 
Posteriormente, confirmou, a partir de análises a amostras de tecido nervoso humano, que o mesmo tipo de células imunes e o mecanismo a elas associado de eliminação do neurotransmissor responsável pela redução da gordura também existem nas pessoas, perspetivando novos tratamentos para a obesidade.
 
Segundo Ana Domingos, a proteína SIc6a2, que transporta a norepinefrina libertada pelos neurónios para os macrófagos, constitui, por isso, um novo alvo terapêutico, direcionado a estas células, "e que poderá superar os efeitos secundários nocivos de vários medicamentos".
 
Os cientistas estão a testar até que ponto as anfetaminas podem ser benéficas numa zona mais periférica, no tecido nervoso, uma vez que bloqueiam a ação desta proteína.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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