Descoberto novo tipo de cancro do pulmão

Estudo publicado na revista “Genes & Development”

28 junho 2018
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Uma equipa de investigadores descobriu um novo tipo de carcinoma do pulmão de pequenas células (CPPC), que tinha passado até à data despercebido.
 
O achado foi efetuado na sequência de um estudo liderado por Christopher Vakoc do Laboratório Cold Spring Harbor, EUA, e constitui uma primeira abordagem ao desenvolvimento de tratamentos personalizados para este tipo de cancro.
 
O CPPC perfaz entre 10 a 15% de todos os cancros do pulmão. Não tem um tratamento específico e espalha-se facilmente. Os tratamentos com cirurgia, quimioterapia e radioterapia apenas conseguem uma sobrevida de cinco anos em 6% dos pacientes após o diagnóstico. Torna-se assim urgente identificar novas abordagens para melhorar os resultados deste cancro.
 
Os oncologistas deparam-se muitas vezes com a frustrante descoberta de um tratamento promissor apenas funcionar bem com alguns pacientes, mas não com a maioria. O problema é que “o cancro não é uma coisa, é na verdade centenas de doenças distintas”, apontam os investigadores.
 
Isto faz com que os investigadores considerem que quanto mais conseguirem distinguir os tipos de tumor com base em assinaturas biológicas significativas, mais possibilidades têm de identificar subtipos de casos que respondam a possíveis fármacos específicos.
 
Neste estudo, Christopher Vacok e colegas verificaram um padrão de atividade inesperado em 20% de amostras de tumores de CPPC. A equipa identificou uma escassez de marcadores neuroendócrinos em células neuroendócrinas pulmonares, que se pensa serem a fonte daquele tipo de cancro do pulmão.
 
Através da ferramenta de edição genética CRISPR, os investigadores descobriram que um fator de transcrição conhecido como POU2F3 é expressado exclusivamente naquela minoria de tumores de CPPC com níveis reduzidos de marcadores neuroendócrinos. A equipa apurou que esta variante de tumores de CPPC é derivada de uma classe de células raras conhecidas como “tuft”.
 
O desenvolvimento de fármacos que atuem especificamente sobre a função do POU2F3 poderá revelar-se eficaz no subgrupo de pacientes com tumores que expressem níveis elevados deste fator de transcrição. 
 
“No passado aglomerámos diferentes formas de CPPC porque pareciam iguais numa lamela de microscópio, mas agora temos alguns testes moleculares que podem facilmente discriminar estas malignidades”, revelou Yu-Han Huang, primeira autora do estudo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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