Descoberto mecanismo que conduz à cegueira

Estudo publicado na revista “The Journal of Neuroscience”

21 outubro 2014
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Investigadores do Canadá descobriram que uma proteína encontrada na retina desempenha um papel essencial na função e sobrevivência das células sensíveis à luz, que são necessárias para a visão. Estes achados publicados no “The Journal of Neuroscience” podem ter um impacto significativo no conhecimento das doenças degenerativas da retina que causam cegueira.
 

Neste estudo, os investigadores do Instituto de Investigação Clínica de Montreal, no Canadá, focaram-se num processo denominado compartimentalização, que estabelece e mantém compartimentos dentro de uma célula, cada um dos quais com conjuntos específicos de proteínas. Este processo é crucial para os neurónios funcionarem adequadamente. Da mesma forma que num carro “o combustível deve estar no depósito para que o motor seja alimentado, as proteínas necessitam de estar num compartimento específico para exercerem as suas funções adequadamente”, explicou, em comunicado de imprensa, o primeiro autor do estudo, Vasanth Ramamurthy
 

O estudo refere que um exemplo da compartimentalização é observado num tipo específico de neurónios sensíveis à luz encontrados na retina, os fotorrecetores, que são formados por diferentes compartimentos que contêm proteínas específicas essenciais para a visão.
 

Os investigadores decidiram analisar de que forma o processo de compartimentalização era conseguido nas células fotorrecetoras, tendo identificado um novo mecanismo que explica este processo. Na verdade, os investigadores constataram que a proteína Numb funciona tal como um controlador de tráfego, direcionando as proteínas para os compartimentos apropriados.
 

O estudo apurou que na ausência da Numb, os fotorrecetores são incapazes de enviar uma molécula essencial para a visão para o compartimento correto, o que faz com que as células degenerem progressivamente e morram. Na opinião dos investigadores, este é um achado importante uma vez que a morte dos fotorrecetores é conhecida por causar, em humanos, doenças degenerativas da retina que conduzem à cegueira. “ O nosso estudo fornece assim uma nova peça do puzzle que ajuda a perceber como e por que motivo as células morrem”, referiu Vasanth Ramamurthy.
 

“Acreditamos que os nossos resultados tenham eventualmente um impacto substancial no desenvolvimento de tratamentos para as doenças degenerativas da retina, como a retinite pigmentosa e a neuropatia ótica hereditária de Leber, através do fornecimento de novos alvos terapêuticos para a prevenção da degeneração dos fotorrecetores”, conclui o líder do estudo, Michel Cayouette.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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