Descoberto mecanismo que causa cancro no vírus da Hepatite D

Estudo conduzido pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical

30 agosto 2013
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Uma equipa de investigadores descobriu uma relação entre a hepatite delta (VHD) e o cancro do fígado.

 

Em Portugal, existem cerca de 10.000 doentes com hepatite D e a nível mundial calcula-se que sejam mais de 20 milhões de pessoas infetadas com o vírus. O vírus da hepatite D depende do vírus da hepatite B para se multiplicar e infetar o fígado. Os dois vírus em conjunto representam uma doença para a vida e calcula-se que, em 80% dos doentes nesta situação, a situação clínica evolua para doença crónica no fígado. Isto significa cirrose ou cancro do fígado.

 

O vírus da hepatite D possui um período de incubação que varia entre 15 e 45 dias e mantém-se por muito tempo no sangue. Transmite-se da mesma forma que o vírus da Hepatite B: sangue e transfusões sanguíneas, durante o parto e através da partilha de seringas infetadas ou objetos de higiene pessoal.

 

O estudo, que foi conduzido pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em Lisboa, teve por base a premissa que os doentes infetados com hepatite D têm probabilidade de desenvolver cancro no fígado.

 

Neste estudo, foi identificado um mecanismo envolvido na replicação do VHD que promove o desenvolvimento de células cancerígenas. Através da análise das proteínas e variantes de proteínas (proteómica), os cientistas descobriram quais as alterações na expressão de genes celulares que resultam da replicação deste vírus.

 

O estudo demonstrou, pela primeira vez, que o VHD altera o ciclo normal de divisão celular, que ocorre em várias fases, provocando erros. Os investigadores acreditam assim que a interferência do vírus no ciclo celular é responsável pelo desenvolvimento de processos carcinogénicos nas células.

 

O estudo demonstrou adicionalmente que, em presença do VHD, algumas proteínas celulares que participam no suicídio das células cancerígenas, são sintetizadas em menor escala, contribuindo assim para reduzir as defesas do organismo e potenciar o desenvolvimento do cancro.

 

Não existe atualmente um tratamento específico para a hepatite D. Os pacientes não respondem bem aos fármacos existentes durante um período prolongado. Esta descoberta poderá revolucionar os tratamentos existentes e conduzir à criação de fármacos específicos para o vírus e evitar, desta forma, a evolução para cancro.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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