Descoberto mecanismo contra bactérias multirresistentes

Estudo publicado na “PLOS Biology”

21 abril 2017
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Uma equipa de investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência conduziu um estudo em que descobriu um novo mecanismo para combater bactérias multirresistentes, noticiou a agência Lusa.
 
O estudo liderado por Isabel Gordo pode ajudar na descoberta de novos antibióticos ou estratégias alternativas contra as bactérias multirresistentes.
 
Os investigadores identificaram um mecanismo compensatório que “favorece o crescimento de bactérias multirresistentes e que pode ser usado no futuro como um novo alvo terapêutico contra estas bactérias”, pode ser lido num comunicado sobre o trabalho divulgado pelo Instituto Gulbenkian de Ciência.
 
Isabel Gordo, bióloga e cientista do Instituto Gulbenkian, explicou que o estudo incidiu em bactérias multirresistentes e que identificou proteínas que, se forem bloqueadas, podem tornar possível matar essas bactérias.
 
Explicou a cientista que as bactérias adquirem mutações que fazem com que os antibióticos deixem de funcionar, mas ficam debilitadas, pelo que adquirem as mutações compensatórias, o que faz com que seja difícil destruí-las.
 
A cientista deu como exemplo um automóvel, que seria a bactéria. Ao atingir-se o motor com algo (o antibiótico) o veículo deixa de andar rápido, mas adapta-se e continua a andar, e se se atingir o acelerador (segundo antibiótico), haverá também uma adaptação, pelo que o carro continua a andar. O que a equipa descobriu, explicou a cientista, foi que há outro alvo (outro mecanismo compensatório que inclui mutações), a embraiagem, que pode no futuro ser atacado e assim fazer parar o automóvel.
 
“Era completamente desconhecido até agora como é que estas mutações compensatórias evoluem em bactérias multirresistentes, e foi isso que a equipa de Isabel Gordo se propôs a investigar”, refere o comunicado.
 
Descobriu-se que o ritmo de adaptação compensatória das bactérias E.coli (responsáveis por exemplo pelas intoxicações alimentares multirresistentes) é mais rápido do que nas estirpes que têm apenas uma mutação, e foram identificadas as proteínas chave envolvidas no mecanismo compensatório das bactérias multirresistentes, diz-se no comunicado da Fundação Gulbenkian.
 
A equipa de investigação prevê que o mecanismo agora descoberto possa ser usado de forma geral em muitos outros casos de multirresistências a fármacos, uma vez que os antibióticos afetam os mesmos mecanismos celulares.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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