Descoberto gene que traz felicidade às mulheres

Estudo publicado no jornal “Progress in Neuro-Psychopharmacology & Biological Psychiatry”

31 agosto 2012
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Investigadores da University of South Florida (USF), na Flórida, do National Institutes of Health (NIH), Columbia University e do New York State Psychiatric Institute, em Nova Iorque, descobriram um gene que aparentemente torna as pessoas mais felizes. Mas nem tudo são boas notícias, já que este gene só parece ter impacto nas mulheres. Esta descoberta poderá explicar por que razão diversas pesquisas demonstram que, apesar de a taxa de perturbações de humor e de ansiedade ser mais elevada em pessoas do sexo feminino, as mulheres são mais felizes que os homens.


Este estudo, liderado por Henian Chen, professor associado no Department of Epidemiology and Biostatistics, no USF College of Public Health, demonstrou que a forma menos ativa do gene monoamina oxidase A (MAOA) tem impacto na sensação de felicidade.


O MAOA regula a atividade de uma enzima que tem influência nos níveis de serotonina, dopamina e em outros neurotransmissores presentes no cérebro. Os antidepressivos têm por alvo a degradação dos mesmos neurotransmissores responsáveis pela sensação de prazer e motivação.. A versão menos ativa do MAOA estimula os níveis de monoamina, o que permite que a serotonina e a dopamina permaneçam mais tempo  no cérebro e influenciem positivamente o humor. Já a versão mais ativa do gene elimina mais rapidamente os neurotransmissores responsáveis pelo bem estar.


A investigação teve por base 345 pessoas – 193 mulheres e 152 homens – que participaram num estudo longitudinal no âmbito da saúde mental, o “Children in the Community”.


O ADN dos participantes foi analisado para determinar a variação do gene MAOA e os níveis de felicidade foram avaliados através do preenchimento de uma escala validada e largamente utilizada. Para além do fator genético, fatores como idade, educação, rendimentos e outros elementos sociais foram também tidos em conta.


O estudo concluiu que as mulheres que possuíam um gene MAOA menos ativo revelavam sentir-se mais felizes do que aquelas que não possuíam essa variação do gene. As mulheres que possuíam uma cópia da variação obtiveram pontuações mais elevadas da avaliação da sua felicidade, e as que possuíam duas cópias obtiveram resultados mais elevados ainda.


Os homens também foram estudados, mas, apesar de o gene menos ativo existir entre os indivíduos do sexo masculino na mesma proporção que nas mulheres, esta variação parece não ter influência sobre a sua felicidade.
Os investigadores suspeitam que a testosterona – que está presente nos homens em níveis mais elevados – poderá anular o efeito positivo deste gene. No entanto, impõe-se a necessidade de aprofundar esta questão.


Henian Chen mostrou-se surpreso com os resultados já que pesquisas anteriores tinham associado níveis aumentados ou diminuídos da atividade do MAOA em indivíduos com problemas, como o alcoolismo e comportamentos agressivos e antissociais. Este estudo vem revelar um lado mais positivo deste gene.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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