Descoberto gene envolvido no cancro da mama

Estudo publicado na “Cell Reports”

06 maio 2014
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Um novo estudo revelou que os ratinhos com falta da cópia de um gene denominado CTFC apresentam uma metilação anormal no ADN, tornando-os predispostos para o cancro.

 

Há mais de três décadas tinha-se identificado pela primeira vez a perda frequente de uma cópia do cromossoma 16 em casos de cancro da mama. No entanto até à data, não tinha sido identificado o gene ou genes responsáveis.

 

O estudo, conduzido por uma equipa do Fred Hutchinson Cancer Research Center, vem resolver “um quebra-cabeças que durava há 30 anos”.

 

A CTCF é uma proteína de ligação que exerce uma enorme influência na arquitetura do genoma humano e já foi alvo de estudos extensivos. No entanto, nunca tinha sido associada às doenças cancerígenas.

 

Gala Filippova, cientista naquela instituição e coautora do estudo, clonou a CTCF humana e mapeou-a no cromossoma 16, na mesma região em que é frequentemente perdida nos cancros humanos.

 

Nesse mesmo ano, Chris Kemp, da Divisão de Biologia da mesma instituição, publicou um estudo que refutava a teoria denominada “two-hit theory” nos genes supressores tumorais, que defendia a necessidade de alteração em ambas as cópias do gene para surtir efeito na proteína codificada pelos genes em causa.

 

O estudo demonstrava que, ao contrário da teoria predominante, não era necessária a perda de ambas as cópias, sendo um passo suficiente. No entanto, por não estar em conformidade com o modelo dos “dois-passos”, o CTCF não foi na altura considerado como gene candidato para o cancro da mama, no cromossoma 16.

 

O presente estudo analisou se a perda de apenas uma cópia do gene CTCF poderia desencadear alterações epigenéticas e causar predisposição para o desenvolvimento tumoral. Os autores concluíram que a perda de apenas uma cópia do gene CTCF causava, com efeito, alterações epigenéticas de grande escala, conduzindo a uma maior formação de tumores em múltiplos tecidos.

 

A análise do genoma do cancro humano revelou também que as mutações ou deleções no CTCF constituem um dos eventos mais comuns no cancro da mama, do endométrio, bem como outros tipos de cancro.

 

Esta descoberta demonstra que o CTCF é um gene supressor tumoral importante do cancro humano, ajuda a perceber a origem das alterações de metilação de ADN no cancro e sugere que a instabilidade epigenética possa preceder e acelerar o surgimento do cancro.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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