Descoberto fármaco que aumenta tecido adiposo castanho benéfico

Estudo publicado na revista “Cell Reports”

20 janeiro 2017
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Investigadores americanos identificaram um fármaco, já aprovado pela Food and Drug Adminstration, que pode criar a gordura ou tecido adiposo castanho benéfico, dá conta um estudo publicado na revista “Cell Reports”.
 

O tecido adiposo castanho é diferente do branco mais comumente conhecido, que armazena energia. Por outro lado, o tecido adiposo castanho ajuda o organismo a queimar energia através do calor. As crianças nascem com pequenas quantidades de tecido adiposo castanho, mas à medida que crescem, a maioria deste tipo de tecido desaparece. Nos adultos, os indivíduos com maiores quantidades de tecido adiposo castanho têm uma massa corporal baixa. Um aumento de tecido adiposo castanho em apenas 50 gramas pode conduzir a uma perda de quatro a nove Kg por ano.
 

Baoming Nie, um dos autores do estudo, explica que a introdução de tecido adiposo castanho é uma nova abordagem para tratar a obesidade e as doenças associadas ao metabolismo, como a diabetes.
 

No estudo os investigadores do Instituto Gladstone, nos EUA, utilizaram a reprogramação celular para converter células percursoras do músculo e células adiposas brancas em células adiposas castanhas. Após terem testados 20 mil compostos, os cientistas encontraram um que alterava a identidade das células de uma forma mais eficaz. O fármaco anticancerígeno em causa, o “bexarotene” (Bex), surpreendeu os investigadores uma vez que tem por alvo uma proteína que não tinha sido demonstrada estar envolvida na produção de tecido adiposo castanho.
 

O fármaco atua sobre uma proteína, a RXR, que controla uma rede de outras proteínas celulares. A ativação da RXR desencadeia uma cascata de alterações nas células percursoras do músculo e tecido adiposo branco que, por último, as convertem em células semelhantes às do tecido adiposo castanho. Quando a RXR foi estimulada pelo Bex, ativou genes necessários para a produção de tecido adiposo castanho e desativou genes associados ao tecido adiposo branco ou músculo.
 

De forma a testar se o Bex era capaz de controlar o peso corporal, os investigadores alimentaram ratinhos com uma dieta rica em calorias ao longo de quatro semanas. Apenas metade dos animais foram tratados com o fármaco.
 

Os animais aos quais foi administrado o fármaco tinham mais tecido adiposo castanho, queimaram mais calorias e aumentaram menos de peso que aqueles aos quais não foi administrado o Bex.
 

Os cientistas dizem estar muito entusiasmados com a perspetiva de utilizar um medicamento para produzir tecido adiposo castanho. Contudo, a apesar de o Bex ser muito eficaz na criação de células adiposas castanhas, não é um fármaco muito específico, e existem vários potenciais efeitos secundários que podem surgir da sua toma.
 

Os investigadores esperam no futuro desenvolver um fármaco mais seguro e direcionado que apenas afete os genes envolvido na produção do tecido adiposo castanho.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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