Descoberto antídoto para cogumelo venenoso e mortal

Estudo da Universidade do Porto

18 dezembro 2015
  |  Partilhar:

Investigadores da Universidade do Porto descobriram um antídoto para as intoxicações provocadas por uma espécie de cogumelos venenosos, dá conta um estudo publicado na revista “Archives of Toxicology”.
 

A espécie de cogumelos estudada, “Amanita phalloides”, “também conhecida como chapéu da morte”, é abundante em Portugal e tem sido responsável por 90 a 95% das mortes por ingestão de cogumelos silvestres venenosos, para os quais até à data não existia um antídoto eficaz.
 

“Descobriu-se pela primeira vez uma substância (polimixina B) que pode funcionar como antídoto para as intoxicações por um dos cogumelos silvestres mais venenosos e letais da natureza, que é designado por ‘Amanita phaloides’”, explicou à agência Lusa o professor catedrático da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, Félix Dias Carvalho.
 

Através da ajuda de computadores, os investigadores simularam o acoplamento a uma enzima que é inibida pelas toxinas dos cogumelos venenosos e que é responsável pela transcrição do nosso código genético (DNA). A inibição dessa enzima vai originar um “bloqueio da síntese das proteínas e as células afetadas morrem”, explicou o especialista.
 

“Posteriormente conseguimos demonstrar, com um trabalho em animais de laboratório, que com essa substância, selecionada através dos estudos computacionais, a sobrevivência era de 100% em animais que de outra forma, ao serem expostos a esta toxina, morriam ao final de cinco dias”, disse Félix Dias Carvalho, acreditando que com este trabalho se vai conseguir dar “esperança às pessoas que consomem os cogumelos venenosos de uma forma acidental”.
 

O "aumento da sobrevivência nestes casos é crucial quer a nível social, quer a nível dos custos associados ao tratamento hospitalar”, admite.
 

A importância desta descoberta deve-se à urgência de “combater as toxinas presentes nestes cogumelos, que afetam diretamente o fígado e rins das pessoas intoxicadas”, explicou Félix Dias Carvalho.
 

O passo seguinte é verificar que esta substância funciona também nas intoxicações em humanos”, disse o professor, relembrando que neste momento os dados obtidos referem-se apenas a ambiente laboratorial e em animais.
 

O investigador da Faculdade de Farmácia considera que o “interessante deste trabalho é que se trata de uma substância que já existe na terapêutica, é um antibiótico, e que existe nos hospitais, podendo ser aplicado para além da terapêutica que já está instituída, não tendo que substituir terapêutica nenhuma.”

 

“Pode ser adicionada à terapêutica já existente e, portanto, não trará riscos adicionais às vítimas de intoxicação e será mais uma esperança que se traz para os intoxicados que de outra forma, na maior parte dos casos acabam por necessitar de um transplante hepático ou no caso de não haver resposta atempada, levará à morte do doente”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.