Descoberto “calcanhar de Aquiles” de células imunitárias pró-tumorais

Estudo do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes

14 maio 2018
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Uma equipa de cientistas do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (IMM) descobriu o “calcanhar de Aquiles” de umas células imunitárias que, em vez de protegerem o organismo contra o cancro, ajudam os tumores a crescerem.
 
O estudo foi liderado por Bruno Silva-Santos, vice-presidente do IMM, e foi distinguido com o primeiro prémio Janssen Inovação, no valor de 30 mil euros.
 
Os investigadores descobriram, numa experiência com ratinhos com cancro do fígado e melanoma, que um subgrupo de linfócitos T (células do sistema imunitário), que "ajuda o tumor a crescer", é "muito suscetível ao stress oxidativo", ao contrário da generalidade dos linfócitos T que protegem o organismo contra invasores.
 
O investigador explicou à Lusa que tal acontece porque "os linfócitos pró-tumorais", por oposição aos linfócitos T “bons”, que são antitumorais, estão desprotegidos por terem muito pouco glutationo, um antioxidante.
 
Segundo os cientistas, os linfócitos T “maus” comunicam com os neutrófilos, células de defesa do organismo “boas” que produzem determinadas substâncias, as chamadas espécies reativas de oxigénio, que são compostos químicos que resultam da ativação ou redução do oxigénio molecular.
 
Tais substâncias, usadas pelo sistema imunitário para atacar ou exterminar agentes patogénicos, "interferem com a respiração da célula" e com o seu funcionamento, levando à "oxidação da célula".
 
As células, “normais” ou tumorais, necessitam de "usar o oxigénio de forma eficaz" para desempenharem a sua função. Quando entram em stress e o oxigénio não é utilizado de forma eficaz, a célula oxida, não tem a energia de que precisa e fica disfuncional.
 
A equipa descobriu que é possível inutilizar a função das células T “más” se for induzido stress oxidativo dentro delas, o que é feito naturalmente pelos neutrófilos.
 
"O futuro será desenhar fármacos que possam fazer dentro do tumor este processo, induzir a oxidação destas células para que não estejam funcionais", sustentou o investigador.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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