Descobertas 107 regiões genéticas associadas à pressão arterial elevada

Estudo publicado na revista “Nature Genetics”

02 fevereiro 2017
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Investigadores do Reino Unido descobriram 107 regiões genéticas associadas à pressão arterial elevada. Este achado publicado na revista “Nature Genetics” poderá ajudar os médicos a identificarem os indivíduos de risco, utilizarem tratamentos direcionados e aconselharem alterações no estilo de vida de modo a reduzir o risco de doença cardíaca e acidente vascular cerebral.
 

Estima-se que a hipertensão atinja 30 a 40% dos europeus, e Portugal não é exceção a estes números. A hipertensão, um dos principais fatores de risco da doença cardíaca, acidente vascular cerebral e morte em todo o mundo, é causada por uma interação complexa entre a genética e fatores como dieta, peso, consumo de álcool e exercício físico.
 

Neste estudo os investigadores da Queen Mary College da Universidade de Londres e do Imperial College London, no Reino Unido, testaram 9,8 milhões de variantes genéticas provenientes de 420 mil indivíduos. Das 107 novas regiões genéticas, muitas estavam expressas em níveis aumentados nos vasos sanguíneos, bem como no tecido cardiovascular e podem funcionar como novos alvos farmacológicos para o tratamento da hipertensão.
 

Os investigadores, liderados por Paul Elliott, também desenvolveram uma pontuação de risco genético através da associação dos registos médicos e dados genéticos dos pacientes. Verificou-se que esta pontuação pode ser utilizada para prever o risco aumentado de acidente vascular cerebral e doença cardíaca.
 

O estudo apurou que os pacientes com uma pontuação de risco mais elevada eram mais propensos a desenvolver pressão arterial elevada aos 50 anos de idade. Verificou-se que os pacientes com a pontuação de risco mais elevada tinham uma pressão arterial 10mmHg mais elevada, comparativamente com aqueles com a pontuação de risco mais baixa.
 

Os investigadores constataram também que, por cada aumento de 10mmHg na pressão arterial normal, o risco de doença cardíaca e acidente vascular cerebral aumentava pelo menos 50%.
 

Segundo a Queen Mary College da Universidade de Londres, em informação divulgada na sua página da Internet, se a pontuação do risco genético for medida no início da vida, poderá ser possível adotar uma abordagem médica mais personalizada de forma a diminuir o risco de acidente vascular cerebral e doença cardíaca. Isto pode envolver intervenções no estilo de vida, como alterações no consumo de sal, controlo do peso, redução do consumo de álcool e aumento da prática de exercício.
 

Mark Caulfield, um dos colíderes do estudo, conclui que a descoberta de 107 novas regiões genéticas associadas à pressão arterial quase que duplica a quantidade de genes que podem ser avaliada para direcionar os tratamentos. Estas regiões genéticas podem fornecer a base de novas terapias preventivas inovadoras e alterações do estilo de vida para a principal causa de doença cardíaca e acidente vascular cerebral.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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