Descoberta via que permite recidiva de cancro da mama

Estudo publicado na revista “eLife”

02 maio 2019
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Uma equipa de investigadores descobriu uma série de eventos que permitem que um pequeno reservatório de células cancerígenas resistentes aos tratamentos desperte do estado dormente, causando uma recidiva do cancro da mama.
 
Não se percebia bem, até à data, porque é que anos após terem vencido o cancro, muitas mulheres sofriam uma recidiva da doença.
 
Através de vários ensaios em ratinhos, a equipa do Instituto do Cancro Duke, nos EUA, conseguiu descobrir dados importantes que permitem perceber aquele fenómeno e encontrou ainda estratégias potenciais para travar o processo.
 
Segundo James Alvarez, autor sénior do estudo, o problema é que as células cancerígenas residuais sobreviventes após os tratamentos são muito poucas para serem detetáveis nos exames de imagem.
 
Os investigadores usaram, então, ratinhos com cancro da mama HER2-positivo recorrente para conseguirem localizar as células cancerígenas residuais após os tratamentos e estudá-las. 
 
A equipa descobriu que aquelas células eram diferentes das células cancerígenas originais. Em vez de crescerem e proliferarem rapidamente, as células residuais iniciam uma interação complexa com as células adjacentes, especialmente as do sistema imunitário. Eventualmente, ativam as citocinas, que são pequenas proteínas sinalizadoras e comunicadoras vitais com as células imunitárias.
 
Em resposta às citocinas, as células imunitárias deslocam-se para os locais tumorais. Entre as células mais abundantes que respondem ao chamado encontram-se os macrófagos, um tipo de glóbulos brancos que digerem os resíduos celulares e depositam uma forma de colagénio.
 
O colagénio é importante para as células residuais cancerígenas dormentes se reativarem e proliferarem.
 
Contudo, poderá ser possível atuar sobre os macrófagos através do bloqueio de uma citocina conhecida como CCL5, que tem a capacidade de acelerar a recidiva tumoral. 
 
Os investigadores explicaram que existem fármacos aprovados ou em desenvolvimento que inibem os macrófagos em geral ou a função da CCL5 em particular. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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