Descoberta uma nova molécula contra a hipertensão

Fragmento proteico pode controlar a dilatação das artérias

05 março 2003
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Uma nova geração de medicamentos contra a hipertensão pode surgir de uma fonte no mínimo insuspeita: o cérebro de ratos. Isto porque foi neste órgão que um grupo de investigadores brasileiros descobriram a hemopressina, uma molécula que, aparentemente, pode ser utilizada para desenvolver medicamentos até 100 vezes mais potentes na redução da hipertensão.
 

 

Apesar de se tratar de um achado importante, para os investigadores envolvidos neste estudo, o lado mais interessante deste trabalho vai além da descoberta deste péptido. Segundo Emer Ferro, a grande descoberta deste estudo foi a de um “novo método para descobrir péptidos (fragmentos proteicos) biologicamente activos".
 

 

Ou seja, a mesma táctica aplicada para encontrar o possível anti-hipertensivo agora descoberto, pode revelar outras moléculas com enorme potencial terapêutico, não só do tecido cerebral, mas de quaisquer outros tecidos do organismo. O trabalho de Emer Ferro e seus colaboradores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de S. Paulo foi divulgado no mês passado na revista Pesquisa Fapesp, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, entidade que financiou este projecto de investigação.
 

 

Segundo Fábio Gozzo, investigador do Instituto de Química da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e co-autor deste estudo, o cérebro é o lugar ideal para procurar novos peptídeos, porque muitos neurotransmissores (os mensageiros químicos desse órgão) pertencem a essa classe de substâncias. Como explica este cientista, "era preciso um órgão rico em péptidos para testar este método", cuja estratégia consiste em “transformar tesouras químicas em ímans moleculares” compara.
 

 

Assim, o alvo deste estudo foram as enzimas, moléculas que ajudam a “quebrar” outras moléculas complexas em partes mais pequenas e simples. O grupo liderado por Emer Ferro provocou alterações em algumas enzimas de modo a que elas não fossem capazes de quebrar ligações químicas mas, em vez disso, ficarem ligadas a essas moléculas nos locais onde, a priori iriam provocar o rompimento de ligações químicas. Foi desta forma que os cientistas conseguiram transformar as enzimas em imans moleculares.
 

 

A surpresa foi maior do que o esperado: das 15 substâncias “pescadas” com estes imans moleculares, 13 eram desconhecidas, entre elas a hemopressina. Uma das enzimas à qual a hemopressina se ligou está ligada ao controlo da pressão arterial no corpo humano.
 

 

A hemopressina injectada no sangue de ratos reduz a pressão arterial, talvez por induzir o relaxamento das paredes das artérias, o que permite que o sangue circule com uma pressão mais reduzida.
 

 

Embora os resultados sejam promissores, Emer Ferro alerta que um novo medicamento contra a hipertensão baseado na hemopressina ainda pertence a um panorama distante. Este investigador sustenta que é preciso melhorar o desempenho da molécula. O estudo foi publicado na última edição da revista científica The Journal of Biological Chemistry.
 

 

 

MNI – Médicos Na Internet
 

Fonte: Pesquisa Fapesp

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