Descoberta substância que melhora o humor

Deprimido? Mexa-se, faça exercício!

30 setembro 2001
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Uma equipa de investigadores britânicos descobriu que a prática de exercício físico aumenta os níveis de uma substância produzida no cérebro que contribui para melhorar a nossa disposição. Essa substância é a feniletilamina, um estimulante produzido no nosso organismo pertencente às anfetaminas mas que não tem os efeitos prolongados e duradouros conhecidos por «speed» e «ice» das drogas ilícitas deste grupo de substâncias químicas.
 

 

Ellen Billet, coordenadora desta investigação na Nottingham Trent Univerity, argumenta que o aumento de feniletilamina no cérebro provoca um estado de euforia normalmente associado aos atletas. Como as pessoas deprimidas tendem a apresentar níveis baixos de feniletilamina, estes investigadores afirmam terem encontrado a explicação para os efeitos antidepressivos do exercício físico.
 

 

Temendo que este trabalho possa ser mal interpretado, em entrevista à WebMD, Ellen Billet afirmou: «Nós não defendemos a utilização da feniletilamina como uma droga. Apenas constatámos que existem evidências químicas que clarificam a razão pela qual os atletas têm, regra geral, bom humor.» E continua: «Esperamos que os nossos resultados contribuam para que os médicos se sintam mais confiantes em prescrever o exercício físico como coadjuvante da terapêutica medicamentosa no tratamento da depressão.»
 

 

Hector Sabelli, director do Chicago Center for Cretive Development, também já tinha realizado estudos anteriores aos efeitos da feniletilamina e afirma que os resultados da equipa de Ellen Billet vão de encontro aos seus próprios resultados. «No meu trabalho, constatei que o metabolismo da feniletilamina é reduzido nas pessoas em estado depressivo. Quando estas pessoas tomaram a feniletilamina por nós prescrita, cerca de 60% recuperaram imediatamente do seu estado depressivo – e esta recuperação foi mesmo muito rápida. Em alguns casos demorou apenas meia hora.»
 

 

Relativamente aos estudos anteriores que relacionaram as endorfinas com o bom humor dos atletas, Billet afirma que estas substâncias não têm a mesma capacidade de infiltração no cérebro da feniletilamina. Assim, de acordo com esta investigadora, a feniletilamina pode ser, de facto, a base química da boa disposição resultante de uma boa sessão de exercício.
 

 

Sabelli não é tão peremptório a excluir a acção das endorfinas alegando que estas substâncias podem interagir com a feniletilamina. Relativamente a esta posição do seu colega americano, Ellen Billet afirma: «Nós pensamos que a feniletilamina é um dos vários resultados da actividade física que pode afectar a acção de outras substâncias químicas produzidas no cérebro» e essa interacção pode ser diferente de indivíduo para indivíduo. Além disso, as pessoas respondem de formas diferentes a estímulos semelhante e, por isso, o exercício físico pode resultar na produção de feniletilamina numas pessoas e não ter o mesmo efeito noutras.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet

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