Descoberta revela nova vulnerabilidade de células cancerígenas

Estudo publicado no “EMBO Journal”

22 abril 2015
  |  Partilhar:
Cientistas da Universidade de Wurzburg, na Alemanha, e da Universidade de Helsínquia, na Finlândia, descobriram que o gene cancerígeno Myc torna as células cancerígenas vulneráveis à morte celular através da repressão de genes de “bem-estar” essenciais para a manutenção da vida das células.
 
O oncogene Myc tem o efeito de estimular a proliferação celular ao mesmo tempo que provoca o suicídio celular, um processo denominado apoptose. Contudo, até ao momento não se sabia o que desencadeava ao certo a apoptose, embora se desconfiasse que o Myc controlasse genes assassinos que matassem as células.
 
O Myc é um fator de transcrição de alto nível que controla milhares de genes. Este gene colabora de perto com os genes Max e Miz-1 para ativar e desativar outros genes, que produzem mRNA e depois novas proteínas. As novas proteínas tomam conta do metabolismo de energia da célula, do mecanismo da divisão celular e até indicam às células quando devem morrer. No cancro, a expressão do Myc atinge uma proporção tal que leva as células a dividirem-se descontroladamente e a recusarem-se a morrer, conduzindo à formação de massa tumoral.
 
Martin Eilers e Katrin Wiese da Universidade de Wurzburg trabalharam com uma versão mutante do Myc que colaborava com o Max, mas não com o Miz-1. Os cientistas descobriram que esta versão do Myc tinha facilidade em ativar genes, mas apresentava dificuldades em desativá-los. De acordo com Katrin Wiese, “a versão mutante do Myc era capaz de instruir as células para se dividirem, mas não as conseguia instruir para morrer”.
 
Os cientistas aperceberam-se então que a noção de que o gene Myc mata as células ativando genes assassinos poderá estar errada. Em vez disso, o Myc poderá matar as células desativando os genes que as células precisam para se manterem vivas.
 
Para descobrir quais os genes envolvidos no "bem-estar" celular, a equipa alemã contou com Juha Klefström e Heidi Haikala, da Universidade de Helsínquia, uma vez que esta equipa finlandesa tinha utilizado genes, denominados moléculas de RNAi, para desativar genes específicos. Desta forma, as equipas de investigadores foram capazes de identificar uma proteína nuclear e uma proteína que controla genes denominada SRF.
 
“Parece que nas células cancerígenas, o Myc e o seu parceiro Miz-1 invadem áreas de controlo dos genes aonde não deveriam ir. Nesta situação, o Myc e o Miz-1 perturbam genes que as células precisam para o seu 'bem-estar'”, revela Heidi Haikala em comunicado. “Os genes de 'bem-estar', quando não são perturbados, fornecem bioenergia e ligações com outras células. As proteínas Myc e Miz-1 colidiram especialmente com uma proteína que controla a expressão dos genes denominada SRF e acreditamos que este choque no núcleo desativa os genes de 'bem-estar', levando as células cancerígenas ao suicídio”, acrescenta.
 
A descoberta de que o gene Myc tem a capacidade de desativar genes e, dessa maneira, conduzir à morte celular entusiasmou os cientistas, que consideram que “é muito mais fácil desativar atividades celulares do que ativá-las através de fármacos”. Como tal, os investigadores esperam ser possível no futuro desenvolver fármacos que desativem genes de forma a matar células tumorais.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.