Descoberta razão porque os bebés digerem o leite mais facilmente

Estudo publicado no “Applied and Environmental Microbiology”

30 novembro 2010
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As estirpes de bactérias existentes no aparelho digestivo dos bebés, que não existem no adulto, facilitam a absorção dos nutrientes do leite, revela um estudo norte-americano publicado na revista “Applied and Environmental Microbiology”.

 

As crianças digerem e aproveitam melhor os componentes nutricionais do leite do que os adultos. A explicação está na diferença das estirpes das bactérias que dominam os aparelhos digestivos. Num estudo co-liderado por investigadores da Universidade da Califórnia em Davis e da Universidade de Utah, EUA, os cientistas identificaram os genes das bactérias gastro-intestinais que, provavelmente, estão mais implicados nessa diferença.

 

Segundo explicaram os cientistas, em comunicado enviado à imprensa, “os oligossacarídeos do leite humano são o terceiro componente mais importante do leite, e esta complexidade estrutural, provavelmente, impediria a sua digestão.”

 

“As estirpes de Bifidobacterium longum (B. longum) muitas vezes predominam a flora intestinal dos bebés que estão a ser amamentados exclusivamente a leite materno. De entre as três subespécies reconhecidas, a subespécie infantis alcança altos níveis de crescimento celular no leite materno, e, este facto, está associado com a colonização precoce no intestino infantil.

 

Para o estudo, os investigadores utilizaram a técnica de microarray (uma técnica que permite a comparação os genomas) tendo verificado que havia um conjunto de cinco gene que estavam conservados em algumas das estripes da B. longum. Foi verificado que estes são os responsáveis por estas estirpes crescerem no leite materno.

 

Os resultados sugerem, segundo uma nota enviada à imprensa, que a B. longum tem pelo menos duas subespécies: uma que está adaptada para utilizar o carbono do leite, encontrada especialmente no tracto digestivo das crianças, e uma outra especializada no metabolismo do carbono de origem vegetal, associada ao tracto digestivo do adulto.

 

“Embora a colonização do intestino na primeira infância seja provavelmente dependente de múltiplos factos dietéticos e não-dietéticos, o fornecimento de oliogossacarídeos complexos através do leite cria um nicho único e ideal para o estabelecimento e colonização de estirpes B. longum infantis”. De acordo com os investigadores, “durante o desmame, uma transição gradual do leite para a alimentação baseada nos vegetais, é gerada uma mudança na disponibilidade do carbono no tracto gastrointestinal, favorável à expansão e formação de uma nova flora gastro-intestinal”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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