Descoberta razão por que fumar reduz o apetite

Estudo publicado na revista “Science”

16 junho 2011
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Cientistas norte-americanos descobriram a razão pela qual quem deixa de fumar tem tendência para engordar, dados que podem levar ao desenvolvimento de novos fármacos para evitar que os ex-fumadores aumentem de peso, bem como para pessoas com problemas de obesidade.

 

No estudo publicado na revista “Science”, investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Yale, EUA, referem ter identificado o mecanismo pelo qual a nicotina inibe o apetite, razão por que muitos fumadores começam a ganhar peso quando param de fumar.

 

No estudo, investigadores liderados por Marina Picciotto analisaram um fármaco – potencial para a depressão - que actua sobre um grupo de receptores localizados na superfície dos neurónios. Esses receptores, chamados receptores nicotínicos, têm muitas funções e uma delas é ser o alvo da nicotina no cérebro.

 

Ao testar o fármaco experimental em ratinhos, os cientistas verificaram que os animais tratados comiam menos do que aqueles que não recebiam o mesmo. Numa série de experiências para investigar essa relação, os cientistas descobriram que o fármaco activa um tipo específico de receptor nicotínico, que, por sua vez, acciona um grupo de neurónios no hipotálamo, células chamadas pró-ópio-melanocortina (POMC).

 

A equipa também descobriu que, quando a nicotina foi administrada aos ratinhos, os que tinham as células POMC desactivadas não perdiam peso, ao contrário do que acontecia com os roedores que tinham os neurónios normais. Os cientistas também perceberam que esses receptores são diferentes dos responsáveis pela activação do desejo de fumar, sentido pelos fumadores. "Isto sugere ser possível obter o efeito de supressão do apetite, sem estimular os centros de recompensa do cérebro", explicou à BBC, a líder da investigação.

 

Os investigadores insistem que a descoberta pode levar ao desenvolvimento de um fármaco que ajude a manter o peso nos fumadores que abandonam o vício. De facto, estudos anteriores já tinham demonstrado uma relação entre os neurónios POMC e a obesidade, levando os cientistas a acreditar que estes novos dados também oferecem uma possibilidade para serem desenvolvidos tratamentos destinados a controlar a obesidade e outros distúrbios metabólicos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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