Descoberta rara na Medicina

Médicos analisam mulher criada a partir da fusão de gémeos

18 novembro 2003
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Médicos de Massachusetts, EUA, descobriram uma mulher que possui dois tipos de células geneticamente diferentes.A paciente, identificada apenas como Jane, foi examinada no Centro Médico Beth Israel Deaconess, em Boston, quando precisou de um transplante de rim, mas os seus filhos, que foram concebidos naturalmente, não puderam fazer a doação. Jane, de 52 anos, e os seus filhos não eram biologicamente relacionados.Exames mostraram que a doente era um verdadeiro fenómeno biológico: a mãe de Jane ficou grávida de gémeos não idênticos que acabaram por se fundir no útero durante a gravidez, formando uma única pessoa.Segundo a revista New Scientist, a equipa médica em Boston examinou os três filhos de Jane para saber se eles poderiam doar um dos rins. Mas os exames genéticos mostraram que os dois filhos não poderiam ser de Jane.Análises mais minuciosas mostraram que a doente era «um produto biológico tetragamético», ou seja uma pessoa com dois tipos de célula, geneticamente diferentes.Jane, segundo os exames, tinha células de um dos gémeos no seu sangue e também em outros tecidos. Mas os testes realizados em outros tecidos, inclusive nos ovários, mostraram a dominância de células do outro gémeo.A condição da paciente foi revelada por acaso e os cientistas afirmam que muitas outras pessoas com essa anomalia genética levam uma vida normal sem saber da sua condição. Alguns até mostram alguns sinais mais visíveis como olhos de cores diferentes. Em outros casos, há problemas no sistema reprodutivo da pessoa, sendo encontrados órgãos reprodutores masculinos e femininos, dado que estas pessoas possuem células dos dois sexos nos seus corpos. Cerca de 30 casos semelhantes já foram relatados cientificamente.Os médicos alertam para o facto desta condição se tornar cada vez mais comum devido à popularização da fertilização in vitro, que trabalha com a implantação de vários embriões no útero das pacientes.Em 1998, por exemplo, médicos na Universidade de Edimburgo, Escócia, relataram um caso em que dois embriões, um masculino e outro feminino, se fundiram para formar uma única criança.Mas o fenómeno pode acontecer em gravidezes ditas naturais. Tudo porque, durante os primeiros meses, algumas células da mãe «escapam» para o feto e vice-versa.Mais de 90 por cento das mulheres podem ter no sangue células ou ADN dos seus filhos durante a gravidez e mais de 50 por cento continuam assim décadas depois do nascimento. Se a mulher tem outros filhos depois disso, as células do irmão mais velho também podem ser passadas de volta para o filho mais novo durante a gravidez.Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

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