Descoberta pode levar a repensar desenvolvimento de Alzheimer

Estudo publicado no “Angewandte Chemie”

17 agosto 2015
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Uma nova descoberta poderá ajudar a compreender melhor a complicada química por detrás do desenvolvimento da doença de Alzheimer. Cientistas australianos descobriram que uma proteína envolvida na progressão da doença possui também propriedades que poderão ser úteis para a saúde humana.
 
Uma equipa de investigadores liderados por Simon Drew, da Universidade de Melbourne, na Austrália, e Wojciech Bal, da Academia de Ciências da Polónia, revelaram que uma forma mais curta da proteína beta-amiloide poderá atuar como uma esponja que se liga de forma segura a um metal que pode danificar tecido cerebral quando se encontra em excesso.
 
A proteína beta-amiloide tem sido um intenso foco de interesse por parte de cientistas que estudam o desenvolvimento da Alzheimer, visto que o cérebro de doentes com esta condição apresentam agregados desta proteína.
 
No interior destes agregados encontram-se níveis elevados de cobre. Apesar de este metal ser essencial para a saúde, uma quantidade excessiva do mesmo pode levar à produção de radicais livres prejudiciais. Começou, então, a suspeitar-se que o cobre poderia contribuir para a doença. Descobriu-se que a beta-amiloide pode ligar-se ao cobre indiscriminadamente e permitir a produção destes radicais livres prejudiciais.
 
Contudo, uma análise mais cuidada à proteína beta-amiloide revelou que esta apresenta diferentes tamanhos. Uma quantidade considerável desta não apresenta as três primeiras ligações no início da estrutura em forma de cadeia da proteína.
 
Apesar de se saber que a forma mais curta da beta-amiloide se encontra presente nos cérebros de pacientes com Alzheimer, os cientistas descobriram agora que esta também se encontra em abundância nos cérebros de pessoas saudáveis.
 
“A pequena alteração de comprimento faz uma enorme diferença em termos das propriedades de ligação ao cobre. Descobrimos que a forma curta da proteína é capaz de se ligar ao cobre com uma força pelo menos mil vezes maior do que as formas mais compridas. Além disso, esta enrola-se à volta do metal de uma forma que o impede de produzir radicais livres”, explica Simon Drew, em comunicado da Universidade de Melbourne.
 
“Dadas estas propriedades e a sua relativa abundância, podemos especular que este tipo de beta-amiloide é protetora”, o que é uma visão bastante diferente daquela que se tinha até ao momento acerca da interação desta proteína com o cobre biológico, acrescentou o investigador.
 
Até ao momento, as terapias concebidas para diminuir a produção da beta-amiloide têm revelado pouca capacidade para abrandar o declínio cognitivo.
 
Drew e seus colegas pretendem desenvolver um método capaz de identificar a forma da proteína beta-amiloide curta que se liga ao cobre. Os investigadores acreditam que isso lhes irá permitir perceber a quanto cobre é que estas proteínas se ligam no cérebro, se estas escoltam o cobre de forma segura de um local para outro e de que forma isso se altera com o envelhecimento e com a doença.
 
“À medida que a quantidade de beta-amiloide aumenta no cérebro durante a doença de Alzheimer, a forma mais curta poderá também agregar-se, o que poderá interferir com o seu funcionamento normal. Níveis mais elevados da forma curta poderão ainda fazer com que esta proteína atraia cobre de outros locais onde este é necessário. Poderá ser um cenário como Jekyll e Hyde”, adianta o cientista.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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