Descoberta pode aumentar taxa de sucesso de fertilização in vitro

Estudo publicado no “Nature Communications”

28 julho 2015
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Cientistas norte-americanos revelam que é possível prever anomalias nos cromossomas de embriões humanos criados a partir de fertilização in vitro (FIV) nas primeiras 30 horas após a união de um ovócito e de um espermatozoide. Esta descoberta pode promover o aumento da taxa de sucesso deste meio de procriação assistida.
 

Embriões resultantes de FIV normalmente têm de ser transferidos entre três a cinco dias após a sua criação, embora as anomalias cromossómicas apenas sejam identificáveis a partir do quinto ou sexto dia.
 

Estima-se que cerca de 50 a 80% dos embriões criados através de FIV venham a desenvolver algum tipo de anomalia ao nível dos cromossomas, resultando em aborto.
 

Com este novo método, os cientistas consideram que será possível identificar mais rapidamente os embriões saudáveis para implantação e reduzir o tempo de cultura destes em laboratório.
 

Cientistas da Universidade de Stanford, nos EUA, utilizaram 117 zigotos humanos de 19 casais para demonstrar que, durante a primeira fase da mitose (um período breve no ciclo celular) até cerca da fase de desenvolvimento de oito células, é possível distinguir embriões com anomalias ao nível dos cromossomas. Além disso, os investigadores conseguiram ainda correlacionar a composição cromossómica de um embrião a um subgrupo de 12 genes que são ativados antes da primeira divisão celular. Estes genes resultam provavelmente de gâmetas – ovócitos e espermatozoides – e podem ser usados para prever se um embrião será cromossomicamente normal ou anormal logo nas primeiras fases do desenvolvimento humano.
 

“Uma tentativa falhada de FIV tem grande impacto emocional nas mulheres que aguardam pela gravidez, assim como um impacto financeiro nas famílias, visto que um único tratamento de FIV custa milhares e milhares de dólares por ciclo”, explica Shawn L. Chavez, uma das autoras do estudo, em comunicado de imprensa.
 

“A FIV tem ajudado inúmeras mulheres em todo o mundo e agora temos a tecnologia e o conhecimento para melhorar as hipóteses de um casal ter as suas próprias crianças. Esta descoberta poderá aumentar essas hipóteses”, acrescentou.
 

No futuro os investigadores esperam analisar o impacto de longos períodos de cultura no desenvolvimento dos embriões e nas anomalias genéticas. Além disso, pretendem também avaliar o potencial do zigoto como fonte de biomarcadores não-invasivos que poderão prever o estado cromossomal e evitar problemas decorrentes de períodos prolongados de cultura dos embriões.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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