Descoberta origem de um processo envolvido na aprendizagem, esquizofrenia e autismo

Estudo publicado na revista “eLife”

05 maio 2016
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Investigadores americanos identificaram um recetor cerebral envolvido na poda sináptica da adolescência, um processo que se acredita ser necessário na aprendizagem, mas que parece estar afetado no autismo e na esquizofrenia, sugere um estudo publicado na revista “eLife”.
 

Sheryl Smith, uma das autoras do estudo, explica que as memórias são formadas em estruturas cerebrais conhecidas por espinhas dendríticas, que comunicam com outras células cerebrais através de sinapses. O número de ligações cerebrais diminui para metade na puberdade em muitas áreas cerebrais e ocorre em muitas espécies, incluindo nos humanos e nos roedores.
 

Este processo é conhecido por poda sináptica da adolescência e acredita-se que é importante para a aprendizagem normal na idade adulta. A poda sináptica elimina ligações sinápticas desnecessárias de modo a que seja criado espaço para as novas memórias relevantes. No entanto, como este processo está afetado em doenças como o autismo e esquizofrenia tem havido um crescente interesse em torno deste tema.
 

Através de um modelo animal, os investigadores do Centro Médico Downstate SUNY, nos EUA, demonstraram que na puberdade há um aumento dos recetores GABA, que são alvos de químicos cerebrais que acalmam as células nervosas. Verificou-se que estes recetores ativam a poda sináptica na puberdade no hipocampo, uma área do cérebro envolvida na aprendizagem e memória.
 

Ao diminuir a atividade cerebral, estes recetores GABA também reduzem os níveis de uma proteína na espinha dendrítica, a kalirin-7, que estabiliza a conformação na espinha para manter a sua estrutura. O estudo apurou que os ratinhos que não apresentavam estes recetores mantinham o mesmo nível elevado de ligações cerebrais ao longo da adolescência.
 

Sheryl Smith explicou que os ratinhos com demasiadas ligações cerebrais que não foram alvo da poda sináptica, apesar de serem capazes de aprender localizações espaciais, eram capazes de reaprender novas localizações após a aprendizagem inicial. Estes resultados sugerem que um número demasiado elevado de ligações cerebrais pode limitar a aprendizagem.
 

Estes achados apontam para novos tratamentos que tenham por alvo os recetores GABA de forma a normalizar a poda sináptica em doenças como o autismo e esquizofrenia. Alguns estudos têm indicado que as crianças com autismo têm uma abundância excessiva de sinapses em algumas regiões do cérebro. Por outro lado, outros investigadores sugeriram que a área cerebral pré-frontal em indivíduos com esquizofrenia tem poucas ligações neuronais, comparativamente com o cérebro daqueles que não sofrem desta condição.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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