Descoberta origem das células imunes do cérebro

Estudo publicado na “Science Express”

05 novembro 2010
  |  Partilhar:

Os microgliócitos, as células imunes que residem no cérebro, têm uma origem única e são formadas logo após a concepção, de acordo com um estudo norte-americano, publicado na edição online “Science Express”. Esta descoberta pioneira tem o potencial de possibilitar o desenvolvimento de futuros tratamentos para patologias degenerativas como o Alzheimer e doenças auto-imunes como a esclerose múltipla.

 

Antes desta descoberta pensava-se que os microgliócitos tinham origem ao mesmo tempo que os macrófagos, outras células do sistema imunitário que supostamente se desenvolvem durante o nascimento. Os microgliócitos têm um papel importante no desenvolvimento de muitas doenças do cérebro e os defeitos nestas células podem conduzir à libertação de moléculas inflamatórias, que podem desencadear doenças degenerativas do cérebro.

 

"Esta é realmente uma descoberta surpreendente", disse, em comunicado enviado à imprensa, a líder da investigação, Miriam Merad, do Mount Sinai School of Medicine, em Nova Iorque, acrescentando terem demonstrado “que as células precursoras originam os microgliócitos apenas durante um curto período de tempo após a concepção. Agora que sabemos que estas células têm origem no embrião, devemos teoricamente ser capazes de produzir microgliócitos através de células estaminais embrionárias para o tratamento de doenças do cérebro causadas por defeitos nos microgliócitos. Este é um bom exemplo da razão pela qual os cientistas precisam de fazer pesquisas com células estaminais embrionárias. "

 

Para a primeira parte do estudo, os investigadores transplantaram células sanguíneas precursoras, que são precursoras de todos os macrófagos, a partir de um ratinho recém-nascido para o outro. As células transplantadas não se diferenciaram no animal receptor. Estes resultados sugerem que os microgliócitos têm origem antes do nascimento, durante a vida embrionária.

 

Em seguida, os cientistas utilizaram um ratinho como modelo, o qual expressava biossensores fluorescentes de células precursoras, para determinar quando, durante a idade embrionária, as células precursoras se desenvolviam em microgliócitos. Uma vez activada, a fluorescência não desaparece e todas as células que se desenvolvem a partir dos precursores fluorescentes devem permanecer fluorescentes. Os cientistas activaram a fluorescência logo aos sete dias após a concepção. Quando examinaram os ratos adultos encontraram os microgliócitos fluorescentes, mas não macrófagos fluorescentes. Deste modo, foi estabelecido que os microgliócitos são as únicas células que se originam a partir das células precursoras que surgem por volta dos sete dias após a concepção.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Classificações: 2Média: 4.5
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.