Descoberta molécula que dificulta tratamento da leishmaniose

Estudo conduzido pelo Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto

29 junho 2017
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Uma equipa de investigadores identificou uma molécula libertada pelo parasita da doença infeciosa leishmaniose, que inativa determinadas células responsáveis pela defesa do organismo e dificulta o combate à doença, noticiou a agência Lusa.
 
A molécula identificada - um glicolípido (misto de lípidos com açucares) - é libertada pelo parasita 'leishmania', que origina a 'leishmaniose', e tem a capacidade de bloquear a função das células de defesa, designadas por 'natural killer T' (iNKT).
 
Com esta descoberta, os investigadores, sob a coordenação de Anabela Cordeiro da Silva do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), pretendem criar um anticorpo que neutralize o glicolípido libertado pelo parasita, usado como arma para bloquear as defesas que o organismo produz, inativando-o e impedindo que escape ao sistema imunológico.
 
A 'leishmaniose' é uma doença infeciosa pode ser transmitida entre cães e humanos, através da mosca da areia ou de sangue contaminado, disponível, por exemplo, nos bancos de sangue ou nos órgãos transplantados, explicou.
 
De acordo com a investigadora, a doença, que existe a nível cutâneo (pele), muco cutâneo (pele e mucosas) e visceral (órgãos viscerais, como o fígado, o baço e o intestino), torna-se crónica caso não seja tratada convenientemente.
 
Em Portugal, "infelizmente", não se faz o rastreio para a 'leishmania', o que a investigadora considera "uma falha grave" do Sistema Nacional de Saúde, em termos preventivos.
 
Anabela Cordeiro da Silva indicou ainda que, neste momento, as únicas vacinas contra esta doença são as caninas, que têm uma eficácia reduzida e "mascaram" o estado clínico do animal. Os fármacos, por sua vez, são "muito tóxicos para os rins e para o fígado", existindo, inclusive, "vários locais no mundo" onde o parasita já desenvolveu resistências aos mesmos.
 
Segundo Anabela Cordeiro da Silva, a Miltefosina é o único medicamento existente que pode ser usado de forma oral, no entanto, para além de ser utilizado no tratamento de cães (limitando a utilização humana), este pode levar à teratogenicidade (deformações nos recém-nascidos).
 
"É necessário colocar no mercado novos fármacos", afirmou, acrescentando que o grupo de investigação do qual faz parte já conseguiu desenvolver um composto "muito promissor" para tratamento da 'leishmaniose' e para da doença do sono, que pode ser administrado por via oral, sem os efeitos adversos referidos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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