Descoberta em linfócitos T fundamental para imunoterapia contra cancro

Estudo publicado na revista “Immunology”

14 setembro 2018
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Uma equipa de investigadores descobriu que os linfócitos T, essenciais para combaterem doenças, não requerem glicose para se replicarem rapidamente.
 
O achado que foi efetuado pelos investigadores da Faculdade de Medicina Anschutz, da Universidade do Clorado, EUA, terá implicações importantíssimas sobre o desenvolvimento de imunoterapias para os pacientes com cancro.
 
Ross Kedl, autor sénior do estudo, explicou que os linfócitos T que respondem a infeções normalmente dependem de glicose como fonte de energia. As células cancerígenas também dependem de glicose como fonte de energia. 
 
O problema é que quando os linfócitos T lutam contra os tumores, acabam por competir com as células cancerígenas para acederem à glicose e frequentemente perdem, acrescentou.
 
A equipa de Ross Kedl, em colaboração com colegas da Clínica Mayo e da Universidade da Pensilvânia, EUA, analisaram o comportamento de linfócitos T que se desenvolveram no sistema imunitário do organismo na sequência de uma vacinação sub-unitária, ou seja, uma vacina que usa apenas parte do vírus que causa a doença.
 
A equipa observou que os linfócitos T que se formaram não dependeram de glicose como fonte de energia para a sua rápida divisão, a qual ocorre a cada duas a quatro horas. Os linfócitos T usaram, sim, as mitocôndrias, que são outra fonte de energia celular, para se replicarem. 
 
Sendo assim, ao não necessitarem de glicose, os linfócitos T acabam por ter uma maior possibilidade de exterminarem as células cancerígenas, disse Ross Kedl. O autor acrescentou que o facto de os linfócitos T que surgem após a administração de uma vacina sub-unitária usarem a função mitocôndrica como fonte de energia torna-se ideal para o desenvolvimento de vacinas.
 
“Os linfócitos T gerados por vacinação sub-unitária são idealmente propícios para uso contra o cancro em conjunto com fármacos que bloqueiem a glicólise aeróbica, uma via metabólica na qual o cancro está viciado”, explicou Ross Kedl, concluindo que assim os linfócitos T ficam livres para atacarem o tumor em vez de competirem pelo acesso à glicose.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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