Descoberta causa de resistência à radioterapia em alguns tumores

Investigação publicada no “British Journal of Cancer”

07 agosto 2015
  |  Partilhar:
Cientistas britânicos acreditam ter descoberto por que razão minúsculas moléculas reguladoras nas células podem tornar o cancro da próstata resistente à radioterapia. Espera-se que este conhecimento ajude a desenvolver tratamentos mais eficazes, com doses mais pequenas de radioterapia e que permitam prolongar a vida de milhares de indivíduos.
 
O estudo desenvolvido na Universidade de York, no Reino Unido, demonstrou existir uma relação direta entre as moléculas microRNA, que controlam a expressão dos genes, e a resistência à radioterapia.
 
Outrora consideradas “lixo” pela comunidade científica, os microRNA são hoje vistos como peças fundamentais, uma vez que são responsáveis por indicar aos genes onde e quando devem ser ativados.
 
Cientistas de York demonstraram através do seu estudo que estas moléculas são o interruptor que permite às células reagir rapidamente a alterações do ambiente, tais como aquelas que são provocados por tratamentos ao cancro.
 
Investigações anteriores haviam já concluído que os cancros da próstata eram compostos por pelo menos quatro tipos de células diferentes, entre elas, células estaminais cancerígenas, que resistem aos tratamentos atuais.
 
Ao analisar os microRNA em cada um dos tipos de células envolvidos no cancro da próstata, os cientistas descobriram que alguns tipos de microRNA desativavam genes, o que poderia tornar as células estaminais suscetíveis à radioterapia, enquanto outros microRNA não se encontravam expressos nas células estaminais resistentes, permitindo a expressão de genes resistentes.
 
Tendo por base esta descoberta, os investigadores acreditam que deverá ser possível matar um número muito maior de células cancerígenas através da manipulação dos níveis de microRNA. Na opinião dos autores, isto poderia resultar numa redução dos 30% de pacientes com recorrência de cancro da próstata após radioterapia.
 
“Os médicos não sabem quais os pacientes que irão ter uma recaída – e a razão para a recaída tem provavelmente a ver com o facto de a radioterapia não estar centrada na célula estaminal, mas em todo o tumor”, adianta, em comunicado de imprensa, Norman Maitland, um dos autores do estudo.
 
Os cientistas acreditam que os achados desta investigação poderão ajudar a tornar a radioterapia mais eficaz, permitindo utilizar uma dose de radiação mais pequena do que aquela que é usada atualmente, o que pode prolongar a vida dos pacientes.
 
“Agora conseguimos perceber por que razão as células estaminais provocam recaídas nalguns homens após a radioterapia e isto irá ser a ponte para transformar isso num tratamento e melhorar a radioterapia”, acrescenta.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.