Descoberta associação entre trabalho por turnos e esclerose múltipla

Estudo publicado na revista “Annals of Neurology”

23 novembro 2011
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Investigadores do Instituto Karolinska, em Estocolmo, Suécia, descobriram uma associação entre o trabalho por turnos e um risco mais elevado de esclerose múltipla: as pessoas que trabalham fora dos horários convencionais antes dos 20 anos de idade poderão desenvolver esclerose múltipla devido à interrupção dos ritmos circadianos e dos padrões de sono. Esta descoberta foi publicada na revista “Annals of Neurology”.

 

Estudos anteriores já tinham demonstrado que o trabalho por turnos – durante a noite ou fazendo horários rotativos de trabalho – aumenta o risco de doença cardiovascular, cancro e perturbações da tiróide.

 

A interrupção circadiana e as restrições do sono estão associadas aos horários de trabalho nocturno. Acredita-se que estes factores perturbam a secreção de melatonina e aumentam a resposta inflamatória, promovendo o desenvolvimento de doenças.

 

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória autoimune do sistema nervoso central que tem uma importante componente ambiental, pelo que a investigação dos factores de risco relacionados com o estilo de vida, como as perturbações de sono associadas ao trabalho por turnos, é importante.

 

A equipa de Anna Karin Hedstrom, do Instituto Karolinska, analisou os dados de estudos populacionais, um com 1.343 casos com episódios de esclerose múltipla e 2.900 casos de controlo e outro ainda com 5.129 casos de esclerose múltipla prevalente, frente a 4.509 casos de controlo.  

 

Os investigadores compararam o desenvolvimento de esclerose múltipla nos sujeitos do estudo expostos a trabalho por turnos em várias idades com outras pessoas que nunca tinham trabalhado por turnos.

 

Todos os indivíduos estudados viviam na Suécia e tinham idades entre os 16 e os 70 anos. O trabalho por turnos foi definido como o emprego com um horário permanente ou alternado entre as 21.00 e as 07.00 horas.

 

Segundo Hedstrom, “esta análise revelou uma significativa associação entre o trabalho por turnos nas idades mais jovens e o aparecimento de esclerose múltipla”. “Dado que esta associação foi observada em dois estudos independentes, crê-se que existe de facto uma relação entre o trabalho por turnos e o risco da doença”, assegura.

 

Os resultados demonstram que as pessoas incluídas no grupo que apresentava episódios de esclerose múltipla que tinham trabalhado por turnos fora dos horários normais de trabalho durante três anos ou mais, antes de terem 20 anos, apresentavam o dobro do risco de desenvolverem esclerose múltipla, em comparação com os indivíduos que nunca tinham trabalhado por turnos.

 

Os autores sugerem que a interrupção do ritmo circadiano e a perda de horas de sono poderão desempenhar um papel importante no desenvolvimento de esclerose múltipla. Na realidade, o mecanismo exacto por detrás deste aumento de risco ainda permanece pouco claro, pelo que será necessário realizar mais estudos sobre o tema.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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