Descoberta associação entre inflamação e cancro do pâncreas

Estudo publicado na “Cancer Cell”

14 abril 2011
  |  Partilhar:

Investigadores americanos descobriram uma associação entre moléculas encontradas no pâncreas inflamado e ao desenvolvimento inicial do cancro pancreático. Este estudo, que foi publicado na “Cancer Cell”, poderá ajudar os investigadores a identificar novas vias para detectar, controlar e tratar esta doença mortal.
 

Um dos problemas desta doença é que não existem métodos que permitam diagnosticá-la nos seus estádios inicias. No momento em que o cancro é detectado, este já se encontra tão avançado que não pode ser removido cirurgicamente ou ser tratado facilmente.
 

Os investigadores já há muitos anos sabem que a pancreatite (inflamação dolorosa do pâncreas), juntamente com o tabagismo e a dieta, sãofactores de risco para o cancro do pâncreas.Contudo, ninguém sabe exactamente porquê.
 

Neste estudo, os investigadores da University of California, em São Francisco, EUA, descobriram pelo menos uma parte desta associação e identificaram dois “sinais” moleculares que eram produzidos com abundância no pâncreas durante o processo de inflamação. Uma das moléculas é a Stat3, que é produzida no pâncreas e induz as células deste órgão a proliferar em resposta à inflamação. Mas  por vezes este processo não segue, o curso devido e conduz à transformação de células saudáveis em células tumorais. Por outro lado, esta proteína também leva a um aumento de outra proteína, a MMP7, que contribui para a metastização do cancro.
 

Os investigadores, liderados por Matthias Hebrok, verificaram que o bloqueio da MMP7 em ratinhos conduziu a uma diminuição do tamanho dos tumores. A análise a amostras de sangue de indivíduos com cancro do pâncreas revelou que aqueles que apresentavam níveis mais elevados de MMP7 tinham maior probabilidade de o cancro se encontrar num estádio mais avançado.
 

Estes resultados sugerem que o MMP7 poderá ser utilizado como marcador do estádio do cancro. A confirmar-se, este poderá ser um marcador muito útil para cancros mais agressivos.
 

O conhecimento de todo este processo e de como a inflamação está associada ao cancro do pâncreas poderá ajudar os investigadores a identificar novos alvos para o tratamento do cancro, caso seja possível encontrar novas formas de interferir com o processo e testar a eficácia dos métodos em ensaios clínicos.
 

“Como em muitas outras coisas, o tempo é a chave”, revela Matthias Hebrok em comunicado enviado à imprensa. “Agora, o que necessitamos é de perceber, com maior detalhe, qual é a fase em que os alvos terapêuticos são activados de forma a inibir eficazmente a sua função e, consequentemente, a formação e a progressão do cancro.”

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

Partilhar:
Classificações: 1 Média: 5
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.