Descoberta abre possibilidade de mieloma ser evitado através de intervenção precoce

Estudo publicado a “Leukemia”

29 julho 2016
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Investigadores britânicos descobriram que determinadas alterações na medula óssea decorrentes de uma condição comum e assintomática poderão resultar em mieloma. O estudo publicado na revista “Leukemia” indica que uma intervenção precoce poderá evitar o desenvolvimento deste tipo de cancro.
 

O mieloma é um tipo de cancro que afeta as células plasmáticas, um tipo de leucócitos que tem origem na medula óssea. Embora os sintomas desta doença incluam dores ósseas debilitantes, anemia e náuseas, o mieloma resulta, em grande parte dos casos, de uma condição aparentemente benigna, designada gamopatia monoclonal de significado indeterminado, ou MGUS (sigla em inglês), que ocorre com maior frequência em idosos. Cerca de um em cada 100 pacientes com MGUS desenvolve mieloma todos os anos e não existe atualmente qualquer forma de prever com elevado grau de fiabilidade quais os pacientes que desenvolverão essa forma de cancro.
 

De acordo com os cientistas da Universidade de Birmingham, logo numa das fases iniciais da MGUS ocorre uma alteração no comportamento das células do tecido conectivo da medula óssea, tornando-as propensas ao desenvolvimento do cancro. Segundo informação publicada no sítio da instituição britânica, o gene PADI2 torna-se particularmente hiperativo nestas células do tecido conectivo, conduzindo à sobreprodução de uma molécula sinalizadora, denominada interleucina-6 (IL-6).
 

As células deste tipo de tecido libertam IL-6 para a medula óssea, onde a molécula se liga a recetores na superfície de células plasmáticas cancerosas, instruindo-as a multiplicarem-se rapidamente e a resistirem ao sinal de morte celular. Desse modo, a presença de IL-6 em níveis elevados na medula óssea reduz de forma significativa a eficácia do fármaco quimioterápico denominado bortezomib.
 

Os cientistas ingleses acreditam que o PADI2 poderá constituir um alvo terapêutico em pacientes com MGUS e mieloma, no sentido de melhorar a eficácia dos tratamentos atuais. Além disso, visto que o PADI-2 tem sido também associado ao desenvolvimento de outros tipos de cancro, artrite reumatoide, doença de Alzheimer e doenças autoimunes, o fármaco desenvolvido poderia ter uma aplicação mais abrangente do que apenas para o tratamento do mieloma.
 

Segundo Daniel Tennant, líder do estudo, esta investigação revelou que a medula óssea de pacientes com MGUS é significativamente diferente da de indivíduos saudáveis. “O ambiente na medula óssea nestes pacientes parece ser capaz de suportar o crescimento de cancro, mesmo que na maioria dos pacientes [a MGUS] não progrida para mieloma”, adianta Tennant. Na opinião deste cientista, apesar de a investigação nesta área apenas estar a dar os primeiros passos, “oferece a possibilidade entusiasmante de que uma intervenção precoce possa potencialmente adiar ou até mesmo evitar o desenvolvimento de cancro”, esclarece.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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