Desativação de enzima reduz crescimento tumoral

Estudo conduzido pela University of California Berkeley, EUA

29 agosto 2013
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Uma equipa de investigadores descobriu que a inativação de uma única enzima trava dramaticamente a possibilidade das células cancerígenas se multiplicarem e produzirem novos tumores.

 

O estudo publicado na “Proceedings of the National Academy of Sciences” abre uma janela prometedora no progresso dos tratamentos contra as doenças oncológicas.Com este estudo, a equipa veio também dar um novo destaque à importância dos lípidos, um grupo de moléculas que incluem ácidos gordos e colesterol, no avanço do cancro. 

 

Desde há muito que os investigadores tinham conhecimento que as células cancerígenas metabolizam os lípidos de forma diferente das células normais. Os níveis de plasmalogénios (lípidos com função éter presentes na membrana citoplasmática), que são os de mais difícil decomposição, são particularmente elevados nos tumores de alto grau de malignidade.

 

Daniel Nomura, professor assistente no Departamento de Ciências Nutricionais e de Toxicologia da University of California Berkeley e investigador principal neste estudo, explica que “as células cancerígenas produzem e utilizam muita gordura e lípidos e isso faz sentido porque as células cancerígenas dividem-se e proliferam a um ritmo acelerado e, para tal, necessitam de lípidos que perfazem a membrana da célula”.

 

O investigador explica também que os lípidos possuem uma variedade de utilizações nas estruturas celulares, sendo que no presente estudo demonstra-se que estas biomoléculas podem igualmente enviar sinais que fomentam o avanço do cancro.

 

Para o estudo, a equipa testou os efeitos da redução dos plasmalogénios em células cancerígenas de pele humana e em tumores na mama primários. Os investigadores incidiram sobre a enzima alquil-glicerol fosfato sintase, ou AGPS, que é conhecida por ter um papel crítico na formação dos plasmalogénios.

 

Foi confirmado que a expressão da enzima AGPS aumentava quando as células normais se tornavam cancerígenas. Descobriu-se também que a inativação da AGPS reduzia substancialmente a agressividade das células cancerígenas.

 

Os investigadores compararam igualmente o impacto da inativação da AGPS em ratinhos que tinham sido injetados com células cancerígenas. Daniel Nomura descreve que “não existiam tumores nos ratinhos que tinham a enzima AGPS inativada”, sendo que “os ratinhos que não tinham esta enzima inativada rapidamente desenvolveram tumores”.

 

A equipa determinou que a inibição da expressão da AGPS retirava os plasmalogéniosàs células cancerígenas. Foi também descoberto que a AGPS alterava os níveis de outros tipos de lípidos importantes para o cancro poder sobreviver e propagar-se, incluindo prostaglandinas e fosfolípidos acilo. “O efeito sobre os outros lípidos foi inesperado e desconhecido”, comenta o autor principal do estudo.

 

“O que faz que a AGPS se destaque como um objetivo de tratamento específico é que a enzima parece regular simultaneamente vários aspetos do metabolismo lipídico importante para o crescimento do tumor e malignidade”, conclui Daniel Nomura.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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