Derivado da marijuana pode substituir a aspirina

Composto alivia dores e inflamações

21 agosto 2002
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Investigadores norte-americanos estão a desenvolver um medicamento derivado da marijuana que alivia dores e inflamações, sem os efeitos colaterais deste narcótico, que se admite poder vir a substituir a aspirina.
 

 

Segundo os investigadores, o composto poderá trazer melhorias significativas no tratamento de várias doenças, nomeadamente dor crónica, artrite reumatóide e esclerose múltipla.
 

 

A descoberta foi apresentada durante o último encontro nacional da Sociedade de Química norte-americana.
 

O composto, denominado ácido ajulémico, obteve resultados promissores em estudos realizados com animais relativamente à dor e inflamação.
 

 

"Acreditamos que o composto vai substituir a aspirina e outros medicamentos semelhantes na maioria das suas aplicações primárias porque não tem efeitos secundários tóxicos", disse Sumner Burstein, o investigador que lidera o estudo, professor no departamento de bioquímica e farmacologia molecular da Faculdade Médica da Universidade de Massachusetts, em Worcester."Até agora as indicações relativas ao produto apontam para que seja seguro e eficaz", acrescentou.
 

 

Sem alterações de humor
 

 

Durante uma experiência com o novo composto realizada em França no ano passado junto de 15 voluntário saudáveis não foram apontados quaisquer efeitos adversos, nomeadamente úlceras gastrointestinais, patologia que tem sido associada a compostos não-esteroidais e anti-inflamatórios como a aspirina e o ibuprofen.
 

 

Além disso, não foram registadas alterações de humor, acrescentou Burstein, indicando que o ácido ajulémico está agora a ser testado na Alemanha num grupo de 21 pacientes.
 

 

Nos testes realizados com animais, o composto foi entre 10 a 50 vezes mais potente como inibidor da dor que o delta-9- tetrahydrocannabinol (THC), o principal ingrediente da marijuana relacionado com as alterações de humor.
 

 

Os estudos em laboratório indicam também que o composto, um derivado sintético do THC, é mais potente que a aspirina e o ibuprofen, disse Burstein.
 

 

Artrite reumatóide
 

 

Nos ratinhos com artrite reumatóide, o composto preveniu lesões nas articulações associadas à doença, o que poderá torná-lo numa promissora alternativa aos actuais medicamentos usados no seu tratamento, como os inibidores COX-2, compostos já associados a efeitos secundários graves como ataques cardíacos e enfarte, dizem os investigadores.
 

 

Além disso, testes em ratinhos com esclerose múltipla demonstraram que o medicamento alivia a rigidez muscular associada à doença, estando agora previstas para breve experiências em humanos.
 

 

Outras indicações sugerem que o composto poderá também travar a disseminação de células cancerígenas, tendo prolongado o tempo de sobrevivência a ratinhos com tumores cerebrais.
 

 

A forma como actua está ainda a ser investigada, mas o composto parece suprimir mediadores químicos como as prostaglandinas e citokinas, conhecidos pela sua capacidade de causarem inflamação, dizem os investigadores.
 

 

Dado o número crescente de compostos médicos benéficos encontrados na marijuana, os investigadores procuram há anos formas de os utilizarem, dissociando-os de qualquer efeito narcótico, até agora com pouco sucesso.
 

 

Marinol
 

 

O Marinol é, por enquanto, o único medicamento derivado da marijuana aprovado pelas autoridades norte-americanas, estando sujeito a receita médica.
 

 

O medicamento funciona como estimulante do apetite para doentes infectados com Sida, além de aliviar as náuseas associadas à quimioterapia em casos de cancro.
 

 

Mas o Marinol, que é também um derivado sintético do THC, tem sido descrito como indutor de efeitos narcóticos em alguns pacientes.
 

 

"Algumas pessoas querem isso", admitiu Burstein, mas acrescentou que a comunidade médica procura apenas eficácia sem efeitos secundários.
 

 

Fonte: Lusa
 

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