Deprimidos on-line

Grupos de apoio na Internet ajudam pacientes com depressão

30 junho 2004
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 As pessoas deprimidas que frequentam grupos de apoio na Internet tendem a apresentar um quadro mais grave de depressão e a ser socialmente mais isoladas em comparação com as que procuram menos ajuda na rede. Por outro lado, esses cibernautas deprimidos também podem ser os mais beneficiados pelos grupos de apoio on-line, indicou um estudo.Daniel E. Ford, da Escola de Medicina da Johns Hopkins University, em Baltimore (Maryland) foi quem liderou a investigação. Ford referiu ao American Journal of Psychiatry que, apesar de haver necessidade de estudos adicionais, o trabalho sugere que os grupos de apoio para deprimidos na Internet não são prejudiciais e poderiam ser úteis para a recuperação. «Os grupos para deprimidos oferecem um fórum útil para partilhar informações e apoio emocional», acrescentou o especialista.Os estudos sobre a eficácia de vários grupos on-line tiveram resultados contraditórios, mas poucos analisaram como o paciente avaliava o valor do apoio recebido ou a relação que o indivíduo estabelecia com o apoio virtual em comparação com o atendimento real.O trabalho ouviu 103 pacientes que usaram os grupos na Internet. Quase 80 por cento dos utilizadores eram mulheres, a maioria (86 por cento) estava deprimida no momento da pesquisa e quase todos apresentavam diagnóstico de depressão.Mais da metade dos voluntários informaram que usavam os grupos on-line com grande frequência e visitavam sites cinco ou mais horas por dia e durante um período de duas semanas, informou a equipa. Esses utilizadores apresentavam cinco vezes mais probabilidade de não se encaixarem nos critérios de depressão um ano depois, comparados com os que recorriam com menos frequência aos grupos de apoio virtuais. Cerca de um terço dos voluntários não estava deprimido ao fim do período, indicou o estudo. Os participantes geralmente usaram os grupos on-line para obter apoio emocional, mas muitos também receberam informações sobre medicamentos.O uso de grupos virtuais não aumentou o isolamento social, como imaginavam os especialistas. Também não pareceu fazer diferença na percepção do nível de apoio social, por exemplo se os pacientes imaginariam ter alguém para ajudá-los caso ficassem confinados à cama ou para levá-los ao médico em caso de necessidade.Quase 40 por cento dos utilizadores disseram preferir os grupos de apoio na Internet ao aconselhamento pessoal tradicional, ainda que apenas um terço tivesse participado dessas actividades, indicou o estudo.Num resultado considerado «surpreendente», a maioria dos pacientes disse que relatou ao médico ou outros profissionais que usava os grupos de apoio na Internet – um hábito considerado por Ford como de «interesse do paciente.»Apesar de todos os lados positivos apontados no estudo, Ford sugere a todos os pacientes para que conversem com os profissionais sobre qualquer informação que tenham lido na Internet e que tenha causado preocupação.Quase todos os voluntários estavam a receber tratamento contra a depressão. Os investigadores não sabiam afirmar se os grupos on-line poderiam ser úteis para as pessoas não acompanhadas por profissionais.«Ter uma atitude activa é fundamental para a recuperação, usar todos os recursos e tentar multiplicar os métodos para aprender sobre a depressão e sobre novas formas de enfrentá-la é importante», disse Ford. «A Internet poderia ajudar.»Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalista MNI-Médicos Na Internet

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