Depressões na gravidez associadas a menor crescimento do bebé

Estudo publicado nos “Archives of General Psychiatry”

09 março 2012
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As mulheres que sofrem de depressão durante a gravidez ou que tomam antidepressivos durante este período têm um maior risco de darem à luz bebés com atrasos no crescimento, dá conta um estudo publicado nos “Archives of General Psychiatry”.

 

Apesar de a toma de inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS), um tipo de antidepressivos, conduzir à diminuição dos sintomas depressivos durante a gravidez, os bebés não crescem a uma taxa normal.

 

Muitas mulheres sentem, durante a gravidez, uma amálgama de emoções que incluem stress, confusão, medo, tristeza e depressão. Apesar de até há bem pouco tempo se acreditar que os ISRS eram seguros para o tratamento da depressão durante a gravidez, este estudo demonstra que tal pode não ser verdade.

 

“Os ISRS podem atravessar a placenta e afetar o equilíbrio da serotonina, um neurotransmissor que tem um papel importante no crescimento do cérebro em desenvolvimento. Estudos anteriores, realizados em animais, reportaram que este tipo de perturbação pode ter efeitos adversos no desenvolvimento do cérebro”, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Hanan El Marroun.

 

Para este estudo os investigadores do Erasmus MC-Sophia Children's hospital, na Holanda, analisaram três grupos de mulheres que estavam grávidas. Um primeiro grupo não apresentava sintomas depressivos, pelo contrário, as mulheres do segundo grupo tinham sintomas depressivos severos e no terceiro grupo as mulheres estavam a tomar ISRS para o tratamento da depressão.

 

Os investigadores avaliaram trimestralmente o crescimento dos bebés através de realização de ecografias tendo verificado que os bebés das mulheres sem sintomas depressivos cresciam mais rápido que os cujas mães apresentavam este tipo de sintomas. Os investigadores também constataram que os bebés das grávidas que tomavam ISRS tinham um crescimento da cabeça mais lento, apesar de o restante do corpo crescer à taxa normal. Os autores do estudo explicam que um crescimento mais lento da cabeça pode também resultar num desenvolvimento cerebral do feto mais lento.

 

“O feto tem um mecanismo que assegura que o desenvolvimento do cérebro não é afetado em condições adversas. Se, por exemplo, houver uma limitação de nutrientes ou oxigénio, a pele e o fígado são afetados primeiro, poupando assim o cérebro. O facto da exposição aos ISRS afetar o crescimento da cabeça e não do corpo significa que este antidepressivos são especificamente prejudiciais para o desenvolvimento do cérebro. Os efeitos a longo prazo terão de ser investigados”, conclui a investigadora.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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