Depressão: uma forma de adaptação do cérebro?

Estudo publicado na revista “PLoS ONE”

24 novembro 2014
  |  Partilhar:

A depressão pode ser uma forma de adaptação necessária que o cérebro utiliza para ultrapassar problemas complexos como uma doença crónica ou um divórcio, dá conta um estudo publicado na revista “PLoS ONE”.
 

Os investigadores da Universidade de McMaster, no Canadá, defendem que a depressão clínica continua a ser um problema sério de saúde mental e que o conhecimento dos mecanismos subjacentes a esta doença pode conduzir a tratamentos mais eficazes. Atualmente não existe um consenso sobre a patologia subjacente aos distúrbios depressivos e os sintomas utilizados no diagnóstico ocorrem num espectro que varia entre leve a severo.
 

Foi neste contexto que os investigadores, liderados por Paul W. Andrews, decidiram desenvolver um teste de 20 perguntas para medir o pensamento analítico e a ruminação, duas características da depressão. O teste foi administrado a cerca de 600 indivíduos.
 

O teste identificou quais os indivíduos que estavam a ter ruminação analítica, a diferentes níveis de intensidade, tendo encontrado uma associação entre estes resultados e os participantes com sintomas depressivos.
 

Os resultados sugerem que a depressão pode ser uma condição natural, na qual a mente se concentra involuntariamente num problema complexo ao ponto de alocar toda a atenção na análise do problema que tem entre mãos. Em simultâneo, ocorre também uma diminuição na concentração envolvida noutros aspetos da vida o que conduz a distúrbios alimentares, problemas de sono e interação social que estão associados à depressão.
 

“Temos um conjunto de parâmetros clínicos que os investigadores podem utilizar para entender como as pessoas com depressão estão a pensar", referiu em comunicado de imprensa, a primeira autora do estudo, Skye Barbic.
 

Os investigadores acreditam que a forma como as pessoas respondem às questões formuladas pode ajudar a determinar os níveis de cuidados e de apoios que são necessários. Este conjunto de questões pode também ajudar nas discussões entre o médico e o paciente. “Em vez de discutirem a doença como algo mau, os médicos podem ajudar os pacientes a ter uma visão sobre os potenciais efeitos de adaptação do seus pensamentos e como estes podem ser utilizados como uma força para seguir em frente com as suas vidas”, refere a investigadora.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Classificações: 2Média: 5
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.