Depressão também afecta astronautas

Alemães estudam formas de evitar tédio em voos espaciais

26 dezembro 2002
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Uma das coisas que mais passa pela cabeça dos normais mortais é, precisamente, como é que os astronautas em missão, longe de casa, dos amigos e dos passatempos preferidos, conseguem aguentar o isolamento a milhares de quilómetros de tudo e num ambiente físico hostil.
 

 

E, ao que parece, muitos astronautas têm mesmo sofrido de tédio nos longos messes de trabalho no espaço. Por isso, uma equipa de médicos alemães está a desenvolver formas de ajudar os astronautas a evitar os perigos da depressão em missões espaciais de longa duração, como a planeada viagem a Marte.
 

 

A depressão pode desmotivar os astronautas e afectar a capacidade de concentração. Embora o bem-estar psicológico seja cuidadosamente testado, a pressão extrema das viagens espaciais pode favorecer o aparecimento da depressão, comentou Klaus Legner, do Departamento Médico da Agência Espacial Europeia (ESA).
 

 

A pressão psicológica e os longos períodos de isolamento podem despertar na tripulação a sensação de solidão e gerar discussões por causa da convivência forçada num espaço pequeno, disse ainda o especialista.
 

 

De acordo com o especialista da ESA, várias medidas já estão a ser adoptadas para evitar que os astronautas se tornem vítimas da depressão. No entanto, mais estudos são necessários. «Usamos várias medidas para evitar a hipersensibilidade, a irritabilidade emocional e o baixo índice de actividade durante as missões espaciais. Algumas são implementadas antes da descolagem da tripulação, como a selecção de pessoas com personalidades semelhantes e o aconselhamento psicológico. Outras acções são postas em prática no espaço,» disse Legner.
 

 

Além de proporcionar distracções durante o voo para ajudar a evitar a depressão, o contacto com familiares é muito importante. «A interacção com familiares e amigos ajuda a evitar o sentimento de isolamento - geralmente associado à depressão - não apenas no espaço, mas também antes do início da missão.»
 

 

O director do Instituto para Medicina Aérea e Espacial de Colónia, Rupert Gerzer, concordou que é urgente realizar mais estudos na área. «Os astronautas não têm actividade suficientes para se manterem ocupados nas viagens. Após alguns meses, o humor pode mudar e, quanto mais tempo permanecerem no espaço, maior o risco de depressão,» afirmou o especialista.
 

 

E acrescentou: «Uma viagem a Marte dura pelo menos dois anos. Verificamos que as tarefas que recebem não são bastante interessantes. O tédio associado à depressão não é um bom sinal.»
 

 

Segundo Gerzer, o instituto pretende criar novas tarefas para as tripulações, incluindo o desenvolvimento de novos programas e até a resolução de problemas médicos. «Os astronautas são, de alguma forma, bastante semelhantes aos prisioneiros. Estão confinados a pequenos espaços, têm acesso limitado aos familiares e vêem as mesmas pessoas todos os dias. Como ocorre com os prisioneiros, as tarefas que apenas ocupam o tempo não são suficientes. É realmente necessário desenvolver actividades que ocupem a mente e façam o tempo passar rapidamente.»
 

 

Embora haja a possibilidade de usar medicamentos a bordo da nave espacial, essa não é a forma ideal de enfrentar a depressão, disse Gerzer.
 

«O uso de medicamentos não é a melhor alternativa, pois pode afectar as aptidões. É necessário um contacto mais intenso com a Terra por meio de tarefas cognitivas específicas e especializadas.»
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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