Depressão sazonal: identificada mutação genética

Estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”

25 fevereiro 2016
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Investigadores americanos descobriram uma mutação genética que pode ser responsável pela depressão sazonal, dá conta um estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 
Os sintomas da depressão sazonal, que incluem depressão, ansiedade, alterações de humor e problemas de sono, ocorrem quase sempre durante os meses de inverno, quando os dias são mais curtos e escuros. Acredita-se que as alterações nos padrões de luz perturbam os ritmos circadianos dos indivíduos com depressão sazonal, dessincronizando os seus relógios biológicos.
 
Adicionalmente, os investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, já tinham sugerido que a depressão sazonal podia ser desencadeada por um aumento da hormona melatonina, que controla os ciclos de sono-vigília. O cérebro produz melatonina em níveis mais elevados na ausência de luz, por isso é possível que a produção desta hormona aumente durante os dias curtos e mais escuros do inverno nas pessoas com depressão sazonal. Contudo, até à data, ainda não se sabia por que motivo alguns indivíduos são mais vulneráveis às alterações de luz que outros.
 
Num estudo anterior os investigadores, liderados por Louis Ptáček e Ying-Hui Fu, já tinham descoberto várias mutações genéticas entre os indivíduos com uma condição conhecida como síndrome familiar de fase avançada do sono (FASP, sigla em inglês). Esta é uma condição em que o relógio biológico de um indivíduo é muito rápido, o que os leva a deitar muito cedo (entre as 20 e as 21 horas) e acordar muito cedo (entre as 2 e as 5 horas).
 
Após terem analisado os genes dos indivíduos com FASP e ou depressão sazonal, em três pessoas com antecedentes familiares das duas condições, os investigadores verificaram que estes apresentavam uma mutação no gene PER3. Estes resultados sugerem que o gene em causa está associado tanto ao sono como ao humor.
 
De forma a tentar perceber como o PER3 poderia afetar o ritmo circadiano e a depressão nos meses de inverno, os investigadores inseriram uma versão mutada do gene em ratinhos geneticamente modificados e avaliaram como estes reagiam ao dia e noite em laboratório.
 
O estudo apurou que quando os animais eram expostos a 12 horas de luz por dia, os ratinhos geneticamente alterados eram tão ativos quanto os ratinhos de controlo. No entanto, quando foram expostos a apenas quatro horas de luz diárias os animais apresentavam sintomas semelhantes à depressão. Quando o PER3 foi completamente eliminado, estes sintomas agravaram-se.
 
“Esta é a primeira mutação humana diretamente associada ao distúrbio afetivo sazonal e o primeiro sinal claro de um mecanismo que pode associar o sono aos distúrbios de humor”, conclui Louis Ptáček. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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