Depressão: Portugal tem mais casos do que os países vizinhos

Declarações do psiquiatra Álvaro de Carvalho

05 março 2012
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Portugal tem um maior número de pessoas com doenças mentais e depressões graves do que os países vizinhos, dá conta um estudo internacional sobre o tema.

 

De acordo com o psiquiatra Álvaro de Carvalho, que lidera o plano de prevenção de depressões e suicídios, integrado no Plano Nacional de Saúde Mental, o estudo mostra que Portugal é um dos países com maior número de depressões.

 

"Enquanto a Espanha e a França têm índices de prevalência de doença mental entre os 8 e os 9,2 %, nós temos cerca de 23 %", revelou à agência Lusa o psiquiatra, acrescentando que "a prevalência de depressões em termos internacionais ronda os 4 %, mas em Portugal chega aos 7 %".

 

Para Álvaro de Carvalho, "isto mostra que existe um problema sério de depressão, que tem que ser estudado, até para se perceber como é que os índices são tão altos quando a toma de antidepressivos é tão elevada".

 

Por outro lado, "a evidência científica aponta para uma tendência que não pode deixar de chamar a atenção da sociedade em geral e dos políticos em particular: dados internacionais mostram existir uma correlação direta entre o aumento da prevalência de doenças mentais e o grau de desigualdades em termos sociais".

 

De acordo com o coordenador deste plano nacional, Portugal tem um nível alto de desigualdades sociais, a par de países como os Estados Unidos ou a Nova Zelândia.

 

“Estes índices tão elevados medem situações como a gravidez na adolescência - em que somos campeões a par do Reino Unido -, problemas de álcool, de obesidade ou de mobilidade social e desemprego”, afirmou.

 

Um estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o "Impacto da crise económica na saúde mental" na Europa concluiu que, em geral, as recessões económicas em países com o grau de desenvolvimento de Portugal não têm impacto ou reduzem mesmo as taxas de mortalidade, nomeadamente por acidentes rodoviários, já que as pessoas usam menos os carros.

 

No entanto, a análise realizada na União Europeia mostrou que os problemas económicos nos países com menor riqueza aumentaram a mortalidade, sobretudo devido a suicídios e outras causas violentas e problemas de alcoolismo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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