Depressão pode ser contagiosa

Estudo publicado na revista “Clinical Psychological Science”

23 abril 2013
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A forma de pensar  que torna as pessoas mais vulneráveis à depressão pode ser contagiosa, sugere um estudo publicado na revista “Clinical Psychological Science”.
 

Estudos anteriores já tinham demonstrado que os indivíduos que respondem negativamente a eventos stressantes, interpretando esses eventos como o resultado de fatores que não podem alterar e sendo o reflexo da sua própria deficiência, são mais vulneráveis à depressão. Esta "vulnerabilidade cognitiva" é um fator de risco tão potente para a depressão que pode ser utilizado para prever quais são os indivíduos que apresentam um maior risco de, no futuro, sofrerem um episódio depressivo, mesmo que nunca tenham sofrido nenhum episódio antes.
 

As diferenças nesta vulnerabilidade cognitiva parecem ficar solidificadas no início da adolescência, permanecendo estáveis durante a vida adulta. Contudo, os investigadores da Université de Notre Dame, em França, referem que esta vulnerabilidade pode ser moldável perante determinadas circunstâncias.
 

Os investigadores colocaram a hipótese de esta vulnerabilidade cognitiva ser contagiosa nalgumas fases de transição da vida. De forma a testar esta hipótese, os investigadores contaram com a participação de 103 pessoas que tinham iniciado a faculdade e partilhavam o quarto.
 

Os participantes foram convidados a responder a um questionário on-line, que incluiu medidas da vulnerabilidade cognitiva e sintomas depressivos. Estes questionários foram novamente respondidos três e seis meses mais tarde, tendo também os participantes fornecido informações sobre os eventos stressantes ocorridos nos mesmos dois períodos.
 

O estudo apurou que os participantes que partilhavam o seu quarto com alguém com um elevado nível de vulnerabilidade cognitiva tinham uma maior tendência para se deixarem influenciar e de desenvolverem também níveis elevados de vulnerabilidade. Por outro lado, os participantes que partilhavam o quarto com um companheiro com níveis de vulnerabilidade cognitiva baixos, apresentavam uma diminuição na vulnerabilidade.
 

Os investigadores também verificaram que a vulnerabilidade cognitiva afetava o risco de futuros sintomas depressivos. Os estudantes que apresentaram, nos primeiros três meses, um aumento dos níveis de vulnerabilidade apresentavam um risco cerca de duas vezes maior de terem sintomas depressivos aos seis meses, comparativamente com aqueles que não tinham sentido este aumento.
 

Com base nestes resultados, os investigadores sugerem que o efeito de contágio pode ser aproveitado para ajudar a tratar os sintomas da depressão. ”Os resultados sugerem que pode ser possível utilizar o ambiente social, tanto como complemento do processo de intervenção já existente ou, eventualmente, como uma intervenção por si só", referem os investigadores.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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