Depressão paterna aumenta risco de parto prematuro

Estudo publicado no “BJOG”

22 janeiro 2016
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A depressão dos homens durante a gravidez da mulher aumenta o risco de parto prematuro, sugere um estudo publicado no “BJOG”.
 

A depressão da mulher durante a gravidez é conhecida por estar associada a um peso do bebé baixo à nascença e a um risco aumentado de parto prematuro. O stress maternal, resultante da falta de apoio social, relação conturbada ou abusiva, também tem sido associado a um aumento do risco do parto prematuro. Contudo, poucos foram os estudos que analisaram o impacto da depressão paterna na saúde da mãe ou do bebé.
 

Para o estudo, uma equipa de investigadores suecos analisaram mais de 350.000 nascimentos, ocorridos entre 2007 e 2013. Foi avaliada a presença de depressão parental e a incidência de parto muito prematuro (entre as 22 e as 31 semanas) ou moderadamente prematuro (entre as 32 e as 36 semanas).  
 

A depressão, tanto para os homens como para as mulheres, foi definida como ter uma prescrição de antidepressivos ou cuidados médicos no ambiente ambulatório/internamento, a partir dos 12 meses antes da conceção até ao final do segundo trimestre de gravidez. Os indivíduos com depressão foram classificados como “novos” casos se não tivessem depressão nos 12 anos anteriores ao diagnóstico. Todos os outros casos foram definidos como depressão recorrente.
 

O estudo apurou que casos de depressão, nova e recorrente, nas mães foram associados a um aumento de 30 a 40% do risco de parto moderadamente prematuro. Os novos casos de depressão dos pais foram associados a um aumento de 38% do risco de parto muito prematuro. A depressão recorrente dos pais não foi associada a um risco de parto prematuro.
 

De acordo com um dos autores do estudo, Anders Hjern, a depressão do parceiro pode ser considerada uma grande fonte de stress para uma mulher grávida, podendo resultar no aumento do risco de parto muito prematuro. Por outro lado, a depressão paterna é também conhecida por afetar a qualidade dos espermatozoides, tendo efeitos epigenéticos no ADN do bebé, e pode ainda alterar a função da placenta.
 

Contudo, o investigador salienta que este risco parece ser reduzido na depressão paterna recorrente, o que surge que o tratamento da depressão reduz o risco de parto prematuro. No caso das mães, independentemente do facto da depressão ser nova ou recorrente há um aumento do parto prematuro.


"Os nossos resultados sugerem que tanto a depressão materna como paterna devem ser consideradas nas estratégias de prevenção do nascimento prematuro e os pais devem ser rastreados para problemas de saúde mental. Uma vez que os homens são menos propensos a procurar ajuda profissional para os problemas de saúde mental, pode ser benéfico adotar uma abordagem pró-ativa no sentido de facilitar o bem-estar dos futuros pais”, concluiu Anders Hjern.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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