Depressão: novo mecanismo identificado

Estudo publicado na revista “Molecular Psychiatry”

10 janeiro 2014
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Investigadores israelitas descobriram um novo mecanismo responsável pelo desenvolvimento da depressão o qual pode conduzir à produção de antidepressivos mais eficazes e de ativação mais rápida, revela um estudo publicado na revista “Molecular Psychiatry”.
 

Apesar dos recentes progressos no conhecimento da depressão, os especialistas ainda não conhecem totalmente os mecanismos responsáveis por esta doença de modo a criarem uma terapia e prevenção realmente eficazes. Isto pode ser devido ao facto de a maioria dos estudos se terem focado nos neurónios, deixando outras células do cérebro um pouco à margem.
 

Assim, neste estudo, os investigadores da Universidade de Jerusalém, em Israel, decidiram analisar um tipo de células imunitárias no cérebro, as microglia. Estas células, que representam cerca de 10% das células cerebrais, também parecem estar envolvidas em processo fisiológicos que não estão associados à infeção ou danos, incluindo a resposta ao stress.
 

Os investigadores, liderados por Raz Yirmiya, mimetizaram em ratinhos o stress crónico sentido pelos humanos, expondo-os animais a condições stressantes, ao longo de um período de cinco semanas. Foi verificado que os ratinhos desenvolveram um comportamento e sintomas neurológicos que espelhavam aqueles sentidos pelos indivíduos depressivos, incluindo a redução de prazer decorrente da interação social, assim como uma redução na produção de novas células cerebrais, neurogénese, que é um importante marcador da depressão.  
 

O estudo apurou que durante a primeira semana de exposição ao stress, as microglia entraram numa fase de proliferação e ativação, período após o qual algumas células começaram a morrer. Após as cinco semanas de exposição ao stress, este fenómeno conduziu a uma redução do número de células.
 

No entanto, quando os investigadores bloquearam o stress inicial com fármacos ou manipulação genética, a morte e o declínio destas células foi interrompido, bem como os sintomas depressivos e a neurogénese.
 

“Fomos capazes de demonstrar que os fármacos que estimulam as microglia funcionaram como antidepressivos eficazes e de ação rápida, tendo conseguido produzir uma recuperação completa dos sintomas depressivos, bem como um aumento da neurogénese para níveis considerados normais em poucos dias de tratamento”, explicou em comunicado de imprensa, o investigador.
 

Raz Yirmiya refere ainda que para além da importância clínica, estes resultados mostram, pela primeira vez, que para além dos neurónios, as microglia desempenham também um papel relevante na depressão, podendo assim estas células funcionar como um prometedor alvo terapêutico.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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