Depressão nas crianças: ressonância magnética pode ajudar no diagnóstico

Estudo publicado na revista “Biological Psychiatry”

26 janeiro 2016
  |  Partilhar:
As ressonâncias magnéticas podem ajudar a identificar as crianças que têm um risco aumentado de desenvolver depressão anos mais tarde, sugere um estudo publicado na revista “Biological Psychiatry”.
 
No estudo os investigadores do MIT e da Escola de Medicina de Harvard, nos EUA, descobriram diferenças cerebrais distintas nas crianças com risco elevado conhecido, devido a antecedentes familiares de depressão. Este achado sugere que este tipo de procedimento pode ser utilizado para identificar as crianças cujo risco era anteriormente desconhecido, permitindo-lhes serem tratadas antes de desenvolverem depressão.
 
Na opinião dos investigadores, a intervenção precoce é importante uma vez que um indivíduo que sofre de um episódio de depressão fica mais propenso a sofrer outro.
 
Estudos imagiológicos anteriores já tinha constatado que os indivíduos com depressão apresentam, frequentemente, uma atividade anormal em duas regiões cerebrais: o córtex cingulado anterior subgenual e a amígdala. No entanto, não estava claro se estas diferenças causavam depressão ou se o cérebro ficava alterado como resultado de um episódio depressivo.
 
De forma a tentar clarificar este processo, os investigadores submeteram crianças não deprimidas, mas que tinham um familiar que tinha sofrido da condição, a ressonâncias magnéticas funcionais. Estas crianças são mais propensas a desenvolver depressão mais tarde, normalmente entre os 15 e os 30 anos.
 
O estudo incluiu a participação de 27 crianças de risco elevado, com idades compreendidas entre os oito e os 14 anos, as quais foram comparadas com 16 que não tinham antecedentes familiares de depressão. Através das ressonâncias magnéticas funcionais foi medida a sincronização da atividade entre diferentes regiões cerebrais. Os padrões de sincronização que emergem quando um indivíduo não está a realizar uma tarefa específica permitem determinar que regiões do cérebro comunicam naturalmente umas com as outras.
 
Os investigadores identificaram diferentes padrões de atividade cerebral nas crianças que se encontravam em risco elevado de depressão. Verificou-se que estas crianças apresentavam uma sincronização mais forte entre o córtex cingulado anterior subgenual e regiões cerebrais que estão mais ativas durante os períodos de descanso.
 
O estudo apurou ainda que as crianças com risco elevado apresentavam uma conetividade excessivamente ativada entre a amígdala e o giro frontal superior, um região evolvida no processamento da linguagem. Por outro lado, verificou-se que havia uma conetividade abaixo do normal no córtex frontal e parietal, regiões que são importantes para o raciocínio e tomada de decisões.
 
Os autores do estudo verificaram que os padrões de atividade cerebral observados entre as crianças com risco elevado de depressão eram bastante semelhantes aos encontrados nos adultos com depressão.
 
Com base nestes resultados, os investigadores sugerem que a ressonância magnética funcional pode ser utilizada para identificar as crianças que estão em risco elevado de depressão, mesmo para aquelas que não tenham antecedentes familiares.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.