Depressão major: primeiro biomarcador identificado

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

20 fevereiro 2014
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Investigadores do Reino Unido identificaram o primeiro biomarcador da depressão major. O estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences” sugere que este marcador poderá ajudar a identificar os adolescentes rapazes que se encontram em maior risco de desenvolverem esta doença, proporcionando também um tratamento precoce.
 

A depressão major é um problema de saúde mental que afeta uma em cada seis pessoas, em algum momento das suas vidas. Contudo, ainda não tinha sido identificado nenhum biomarcador para esta doença, podendo este facto  dever-se em parte às várias causas e sintomas.
 

Para o estudo, os investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, contaram com a participação de um total de 1.858 adolescentes que forneceram amostras de saliva matinais para medição da conhecida “hormona do stress”, o cortisol.
 

Com base nos sintomas de depressão fornecidos pelos participantes ao longo de 12 meses e nos dados obtidos através da análise ao cortisol, os investigadores dividiram os participantes em quatro subgrupos: desde aqueles que tinham níveis normais de cortisol e sintomas leves de depressão (grupo 1) aos que tinham elevados níveis desta hormona e sintomas severos de depressão (grupo 4).
 

Os participantes foram acompanhados entre 12 e 36 meses para averiguar a probabilidade de desenvolvimento de depressão major e outras doenças psiquiátricas. O estudo apurou que os indivíduos incluídos no grupo 4 apresentavam, em média, um risco sete, e duas a três vezes maior de desenvolver depressão comparativamente com o grupo 1 e com os dois restantes grupos, respetivamente.
 

Os investigadores observaram ainda que os rapazes do grupo 4 tinham um risco 14 vezes maior de depressão major comparativamente com os do grupo 1 e um risco quatro vezes maior de desenvolver a mesma condição quando comparados com os restantes dois grupos. No entanto, as raparigas do grupo 4 apenas apresentaram um risco quatro vezes maior de desenvolverem depressão, comparativamente com aquelas incluídas no grupo 1.
 

De forma a demonstrar que a combinação de elevados níveis de cortisol e presença de sintomas depressivos poderia funcionar como biomarcador, os participantes foram submetidos a testes de memória adicionais. Foi verificado que tanto os rapazes como as raparigas incluídas no grupo 4 forneciam informações pobres e pouco sistematizadas das memórias autobiográficas.  
 

“A depressão é uma doença terrível, mas agora temos uma forma real de identificar os rapazes adolescentes que se encontram em risco de desenvolver depressão major. Este biomarcador poderá ajudar-nos a elaborar prevenções e intervenções estratégicas para estes indivíduos e ajudar a reduzir o risco de episódios graves de depressão bem como das suas consequências na idade adulta”, conclui um dos autores do estudo, Ian Goodyer.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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