Depressão leve pode tratar-se com actividades positivas

Estudo publicado no “Journal of Alternative and Complementary Medicine”

18 agosto 2011
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Praticar actividades positivas pode ser um tratamento eficaz e de baixo custo para pessoas que sofrem de depressão, de acordo com investigadores da Universidade da Califórnia, Riverside e do Centro Médico da Universidade de Duke, nos EUA.

 

Num artigo publicado no “Journal of Alternative and Complementary Medicine”, a equipa, composta por psicólogos, neurocientistas e especialistas em psicofarmacologia, propõem a Positive Activity Interventions (PAI), ou Intervenções de Actividade Positiva.

 

Esta proposta baseia-se em desenvolver actividades intencionais, como actos de praticar a bondade e o optimismo, para produzir felicidade. Esta nova abordagem tem o potencial de beneficiar as pessoas deprimidas que não respondem à farmacoterapia - não podem ou não querem o tratamento farmacológico. Segundo os especialistas, esta nova terapia é relativamente menos demorada, promete a obtenção mais rápida de melhoras nos sintomas da doença e não traz qualquer efeito secundário.

 

"As actividades positivas em si não são realmente uma coisa nova", explicou, em comunicado, a principal autora do artigo, Sonja Lyubomirsky. "Afinal, os seres humanos têm contado as suas bênçãos, sonhado com coisas positivas, escrevendo notas de agradecimento e fazendo actos de bondade ao longo de milhares de anos. A novidade (deste estudo) é o rigor científico com que os investigadores mediram os benefícios e o entendimento de como isso funciona”.

 

Embora o ensino de actividades positivas possa aumentar o pensamento positivo, o afecto e comportamento positivos, apenas dois estudos testaram especificamente essas actividades em indivíduos com depressão leve, de acordo com a revisão efectuada pelos cientistas norte-americanos. Um dos estudos incluiu escrever cartas de agradecimento, contar as bênçãos, a prática do optimismo e de actos de bondade e a meditação em sentimentos positivos em relação aos outros diariamente. Um desses estudos revelou melhorias duradouras durante seis meses.

 

Também uma revisão de estudos de imagens cerebrais levou os cientistas a teorizar que o PAI pode impulsionar os mecanismos de recompensa/prazer e reverter a apatia - um dos benefícios que normalmente não é produzido só pela medicação. Segundo a líder da investigação, os benefícios destas intervenções foram apenas testados para as formas leves da doença.

 

Trata-se de um estudo importante, uma vez que a depressão atinge números alarmantes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) a doença atinge mais de 100 milhões de pessoas pelo mundo. Segundo os investigadores, os fármacos são realmente úteis, mas só funcionam completamente em apenas 30% a 40% dos casos. Depois de usarem entre dois a quatro medicamentos diferentes, apenas um terço dos pacientes consegue sair da depressão.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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