Depressão: gene amplia impacto psicológico de ambiente para o bem ou para o mal

Estudo publicado na “British Journal of Psychiatry Open”

14 outubro 2015
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Cientistas australianos descobriram que um determinado gene pode ampliar os efeitos psicológicos das experiências de vida pessoais para o bem ou para o mal, revela um estudo divulgado na publicação científica “British Journal of Psychiatry Open”.
 
Os investigadores da Universidade de Melbourne, na Austrália, pretenderam averiguar por que razão algumas vítimas de abusos sexuais ou físicos em criança desenvolvem depressão de longo prazo na idade adulta, enquanto outras não.
 
Os achados desta investigação revelam uma nova forma de encarar a depressão, demonstrando que aquilo que poderia ser considerado um gene de risco poderá ser benéfico ou maléfico de acordo com o contexto.
 
O foco do estudo foi o gene SERT, responsável pelo transporte da serotonina, um neurotransmissor associado à regulação do humor. Cada indivíduo possui três tipos de gene SERT: longo-longo (l/l), curto-longo (s/l) ou curto-curto (s/s). Embora a relação entre este gene e a depressão já tenha sido estudada, a relação entre ambos nunca foi analisada ao longo do tempo.
 
A investigação contou com a participação de 333 indivíduos do norte do estado de Vitória e com ascendência da Europa Ocidental. Ao longo de cinco anos, os cientistas registaram os sintomas depressivos dos participantes.
 
Os indivíduos com o genótipo s/s (23%) que tinham sofrido abusos sexuais ou físicos durante a infância apresentaram maior probabilidade de sintomas depressivos graves e continuados durante a meia-idade. Por outro lado, os indivíduos com o mesmo genótipo que não sofreram qualquer tipo de abuso em crianças revelaram ser mais felizes do que os restantes participantes.
 
Estes achados revelam que os sintomas depressivos em algumas pessoas são mais afetados pelas suas experiências pessoais.
 
“Os nossos resultados sugerem que algumas pessoas possuem uma constituição genética que as torna mais suscetíveis a ambientes negativos, mas, se colocadas num ambiente positivo, essas mesmas pessoas apresentam uma tendência para prosperar”, declarou o líder do estudo, Chad Bousman.  
 
De acordo com este cientista, isto representa boas notícias para as pessoas que sofrem de depressão.
 
“Não podemos mudar o nosso genótipo ou voltar atrás no tempo e mudar a nossa infância, mas podemos tomar medidas para alterar o nosso ambiente atual”, explicou. “Isto significa também que as coisas não são tão lineares como dizer a alguém que por ter um gene de risco está condenada. Esta investigação demonstra que esse não é o caso, de todo.”
 
Segundo Bousman, os genes não são o único fator a determinar a apresentação da depressão. “Esta investigação diz-nos que o que pode ser considerado um gene de risco num contexto, pode, na verdade, ser benéfico noutro. Portanto, isto está em direta oposição à noção de determinismo genético, a ideia de que os nossos genes traçam o nosso destino”, acrescentou.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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