Depressão: ferramentas atuais poderão não ser fiáveis para diagnóstico em crianças e jovens

Estudo publicado no “Canadian Journal of Psychiatry”

10 agosto 2016
  |  Partilhar:
Um estudo canadiano publicado no “Canadian Journal of Psychiatry” coloca em causa a utilização de questionários na avaliação e diagnóstico de depressão em crianças e jovens e levanta a possibilidade de estes poderem conduzir a diagnósticos errados da doença. 
 
A depressão pediátrica é uma condição debilitante associada a problemas comportamentais e a menor rendimento escolar. Contudo, a avaliação de rotina desta doença neste grupo etário é particularmente controversa, havendo países, como por exemplo, o Canadá e o Reino Unido, onde esta não é recomendada. Por outro lado, nos EUA foi recentemente recomendado o rastreio de rotina da doença em jovens entre os 13 e 18 anos de idade (mas não em crianças mais jovens) como parte dos cuidados de saúde prestados regularmente.
 
“O nosso estudo demonstra que se o rastreio da depressão fosse realizado utilizando as ferramentas existentes para o efeito, muitas crianças e adolescentes não deprimidos seriam erradamente identificados como deprimidos”, afirma o autor sénior deste estudo, Breet Thombs, da Faculdade de Medicina da Universidade de McGill, em declarações reproduzidas em comunicado da instituição canadense.
 
No Canadá, assim como nos EUA, os médicos são cada vez mais encorajados a tentar identificar depressão em crianças e adolescentes, mesmo que estes não apresentem sinais óbvios e indicativos da doença. Para tal, utilizam questionários que procuram identificar sintomas de depressão.
 
De forma a avaliar a qualidade das ferramentas de rastreio da depressão em crianças e jovens utilizadas atualmente, os cientistas da Universidade de McGill realizaram uma pesquisa exaustiva de estudos que tivessem testado esses meios de rastreio. Foram identificados 17 estudos em que os resultados dos questionários de avaliação foram comparados com os resultados de uma entrevista diagnóstica para determinar a real presença da depressão nos indivíduos avaliados.
 
De seguida, os investigadores avaliaram tanto a metodologia como os resultados desses 17 estudos. Eles descobriram que a maioria destes era demasiado pequena para determinar de forma válida a fiabilidade das ferramentas de rastreio e que os métodos usados pela maioria dos estudos ficavam abaixo dos padrões expectáveis. Os cientistas descobriram ainda que não havia evidência suficiente para recomendar qualquer resultado-limite, em que os pacientes que ficassem abaixo do mesmo eram considerados deprimidos.
 
“Não houve uma única ferramenta que apresentasse sequer evidência moderada de exatidão suficiente para efetivamente identificar crianças e adolescentes deprimidos sem detetar de forma incorreta muitas crianças e adolescentes que não se encontram deprimidos”, alertou Michelle Roseman, líder do estudo.
 
Na opinião dos autores, o mau diagnóstico da doença pode levar à prescrição desnecessária de medicação psiquiátrica potencialmente danosa para a saúde em casos de crianças e jovens sem qualquer desordem da saúde mental.
 
Para avaliar de forma adequada a precisão das ferramentas de rastreio da depressão pediátrica, os cientistas consideram que seria necessário conceber estudos amplos e bem estruturados que apresentassem resultados numa escala de valores-limite. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.