Depressão e os sentimentos de culpa

Estudo publicado nos “Archives of General Psychiatry”

11 junho 2012
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Os indivíduos com depressão respondem de forma diferente aos sentimentos de culpa, sugere um estudo publicado nos “Archives of General Psychiatry”.

 

“O nosso estudo dá conta do primeiro mecanismo cerebral que poderá explicar a observação feita por Freud de que a depressão pode ser distinguida da tristeza através dos sentimentos de culpa exagerados”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Roland Zahn.

 

Neste estudo, os investigadores da University of Manchester, no Reino Unido, focaram-se em duas regiões do cérebro: o lóbulo temporal e a área subgenual do cérebro, que estão associadas ao conhecimento dos comportamentos socialmente aceites e aos sentimentos de culpa, respetivamente.

 

Os investigadores submeteram o cérebro de indivíduos que tinham história de depressão, mas que já não apresentavam sintomas há mais de um ano, e o de um grupo de indivíduos saudáveis a uma ressonância magnética funcional. Os participantes dos dois grupos foram convidados a imaginar que estavam a agir de forma pouco amistosa com os seus melhores amigos. Posteriormente foi pedido aos participantes para revelarem o tipo de sentimentos associados com este tipo de situação.

 

O estudo apurou que nos indivíduos com história de depressão as regiões do cérebro associadas com a culpabilização e com o conhecimento dos comportamentos socialmente aceites não se associavam de uma forma tão forte como nos indivíduos que nunca tinham tido depressão.

 

“Curiosamente esta falta de ligação só ocorreu quando os indivíduos propensos à depressão se sentiam culpados, mas não quando se sentiam irritados ou culpabilizavam os outros. Isto pode refletir a falta de acesso a detalhes acerca do que era inapropriado em relação ao seu comportamento quando se sentiam culpados, fazendo com que o sentimento de culpa se estendesse a factos sobre os quais eles não eram responsáveis”, revelou me comunicado de imprensa, o líder do estudo Roland Zahn.

 

De acordo com os investigadores este é um estudo importante dado que dá conta dos mecanismos cerebrais envolvidos nos sintomas da depressão e que podem explicar o motivo pelo qual as pessoas respondem ao stress com a depressão e não com agressão.

 

Os investigadores encontram-se atualmente a verificar se os resultados do estudo podem prever o risco de depressão após a remissão de um episódio anterior. Caso tal se comprove, a ressonância magnética funcional pode ser utilizada como marcador para um futuro risco de depressão.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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