Depressão e demência: qual a associação?

Estudo publicado na revista “Neurology”

04 agosto 2014
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Investigadores americanos sugerem que a associação entre a depressão e a demência é independente das alterações cerebrais associadas à demência, dá conta um estudo publicado na revista “Neurology”.
 
Estudos anteriores tinham demonstrado que os indivíduos com sintomas de depressão apresentavam um maior risco de desenvolver demência. Contudo, não se sabia ao certo como esta relação funcionava, nomeadamente se a depressão era uma consequência da demência ou se estas duas doenças tinham na sua base os mesmos problemas cerebrais.
 
“Os nossos resultados são muito interessantes, pois sugerem que a depressão é realmente um fator de risco da demência. Se formos capazes de prevenir ou tratar a depressão e as causas de stress talvez consigamos manter a capacidade de raciocínio e memória das pessoas até idades avançadas”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Robert S. Wilson. 
 
Para o estudo, os investigadores do Centro Médico da Universidade de Rush, nos EUA, contaram com a participação de 1.764 indivíduos, com uma média de 77 anos, que no início do estudo não apresentavam problemas de raciocínio ou memória. Os participantes foram anualmente avaliados de forma a detetar a presença de sintomas de depressão, tendo também sido submetidos a testes de avaliação das suas capacidades de raciocínio e memória. Ao longo do estudo morreram 680 indivíduos e foram realizadas 582 autopsias com o intuito de encontrar possíveis sinais de demência e danos cerebrais.  
 
Ao longo do estudo 933 indivíduos desenvolveram deterioração cognitiva leve ou problemas de memória e raciocínio ligeiros, que são muita vezes percursores da doença de Alzheimer. Um total de 315 indivíduos desenvolveu demência. 
 
O estudo não encontrou qualquer associação entre a quantidade de danos cerebrais encontrados e o nível de sintomas de depressão ou de alterações dos sintomas de depressão ao longo do tempo. 
 
Os investigadores constataram também que os indivíduos que desenvolveram deterioração cognitiva ligeira eram mais suscetíveis a ter níveis mais elevados de sintomas de depressão antes de serem diagnosticados. Contudo, estes indivíduos não tendiam a ter mais alterações nos sintomas de depressão após o diagnóstico do que aqueles sem deterioração cognitiva ligeira.
 
Os indivíduos com demência tendiam a ter níveis mais elevados de sintomas de depressão antes de a demência ter tido início. No entanto, apresentavam uma diminuição mais rápida dos sintomas de depressão após a demência se ter desenvolvido.
 
Os autores do estudo apuraram ainda que um nível maior de sintomas depressão estava associado a um declínio mais rápido da capacidade de raciocínio e memória.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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