Depressão e ansiedade podem aumentar os riscos cirúrgicos

Estudo publicado nos “Archives of Surgery”

24 outubro 2010
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As pessoas que sofrem de depressão e de ansiedade podem ter um risco ligeiramente superior de morte depois de serem submetidas a uma cirurgia, sugere um novo estudo publicado nos “Archives of Surgery”.

 

Investigadores norte-americanos analisaram dados de 35.539 pacientes submetidos a cirurgia e internados em unidades de cuidados intensivos, entre 1 de Outubro de 2003 e 30 de Setembro de 2006. Desses pacientes, 8,922 (25,1%) tinham uma condição psiquiátrica existente, incluindo 5.500 (15,5%) com depressão, 2,913 (8,2%) com stress pós-traumático, 2,473 (7%) com ansiedade, 793 (2,2%) com o distúrbio bipolar e 621 (1,8%) com psicose.

 

A análise inicial mostrou que as taxas de mortalidade, 30 dias após a cirurgia, foram semelhantes, tanto nos pacientes com problemas psiquiátricos, como nos que não apresentavam patologia mental, sendo 3,8 e 4% respectivamente. Mas quando os investigadores ajustaram outros factores, a taxa de mortalidade foi maior nos pacientes com problemas psiquiátricos.

 

Outras análises mostraram que o aumento do risco de morte estava associado com a depressão e a ansiedade, mas não com qualquer outra condição psiquiátrica. Além disso, a taxa de mortalidade foi maior entre pacientes com distúrbios psiquiátricos que foram submetidos a cirurgias do sistema respiratório ou digestivo, mas não nos submetidos a intervenções cirúrgicas dos sistemas circulatório, nervoso e músculo-esquelético.

 

Em comunicado de imprensa, Thad E. Abrams, líder da equipa de investigadores, do Iowa University, EUA, refere existirem vários factores implicados nestes resultados. Um primeiro é o de os pacientes deprimidos muitas vezes não cumprirem as recomendações médicas para a sua condição; um segundo poderá estar relacionado ao facto de os pacientes “com comorbidade psiquiátrica existente estarem mais propensos a submeterem-se a uma cirurgia com um cirurgião ou num hospital de qualidade inferior”; em terceiro lugar, a comorbidade psiquiátrica poderá servir como um indicador de risco de maior gravidade para uma cirurgia.

 

Por isso, o especialista recomenda aos médicos para que tenham especial atenção a estes pacientes, nomeadamente serem acompanhados precocemente por equipas multidisciplinares para ajudarem a identificar áreas problemáticas no processo dos cuidados perioperatórios.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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