Depressão dificulta distinção de experiências similares

Estudo publicado na revista “Behavioural Brain Research”

08 outubro 2013
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A depressão afeta a capacidade de diferenciar objetos semelhantes, o que pode, em parte, ajudar a explicar por que motivo esta doença afeta a memória, revela um estudo publicado na revista “Behavioural Brain Research”.
 

Os investigadores da Brigham Young University, nos EUA, explicam que a separação dos padrões é um mecanismo de codificação de memórias, onde são criadas representações de memórias distintas para objetos ou eventos similares. Este estudo sugere que a depressão interfere com este processo, e quanto mais deprimido um indivíduo se encontra, mais dificuldade tem em distinguir experiências similares.
 

Neste estudo os investigadores submeteram um grupo de indivíduos que apresentavam sinais de depressão, mas que não estavam a tomar medicação para esta condição, a um teste de memória. O teste consistia na visualização de objetos que já tinham sido visualizados anteriormente, similares ou objetos completamente novos.
 

O estudo apurou que os indivíduos deprimidos conseguiram distinguir perfeitamente os objetos novos dos antigos. Contudo, no caso de lhes ser mostrado um objeto similar ao que já tinham visualizado anteriormente, a resposta mais comum era que já tinham visto o objeto anteriormente.
 

Os investigadores revelaram ter encontrado uma relação negativa entre a depressão e a separação de padrões. “Estes resutados apoiam a ideia de que a depressão está negativamente associada aos resultados obtidos nos testes de padrão de separação”, acrescentam.
 

Os autores do estudo referem que estas falhas no padrão de separação podem ser um desafio para estes indivíduos, no que diz respeito às vivências do dia-a-dia, nomeadamente recordarem-se onde estacionaram o carro ou até que tipo de informações pessoais partilharam com amigos e familiares.
 

“Os indivíduos com depressão não têm amnésia, simplesmente esquecem-se dos detalhes”, revelou em comunicado de imprensa um dos autores do estudo, Brock Kirwan.
 

O investigador acrescenta que este estudo também fornece algumas pistas sobre o que está a ocorrer no cérebro dos indivíduos com depressão. Brock Kirwan refere que, nestes indivíduos, há um menor crescimento de células cerebrais numa zona do cérebro associada à memória, o hipocampo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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