Depressão: descoberto tratamento revolucionário

Estudo publicado na revista “Nature”

10 maio 2016
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Investigadores americanos descobriram um metabolito da cetamina que é capaz de reverter a depressão sem os efeitos secundários indesejados habitualmente associados a este fármaco, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
 
Há muito que a comunidade científica sabia que a cetamina era capaz de tratar em poucas horas a depressão, comparativamente com as semanas ou meses necessários com os antidepressivos habitualmente utilizados. No entanto, o fármaco, que se encontra aprovado como anestésico, apresenta grandes efeitos colaterais, nomeadamente alucinações e dissociação, sendo, por isso, utilizado por vezes como droga recreativa. Desta forma, a sua utilização como tratamento da depressão tem sido limitada.
 
Contudo, com base nestes novos resultados, Todd Gould, um dos autores do estudo, acredita que os pacientes com depressão poderão beneficiar rapidamente dos efeitos da cetamina e evitar simultaneamente os efeitos secundários indesejados.
 
A maioria das pessoas com depressão toma medicamentos que aumentam os níveis da serotonina ou norepinefrina no cérebro. Os fármacos habitualmente utilizados são inibidores seletivos da recaptação da serotonina. Contudo, estes fármacos apenas são eficazes em metade dos pacientes com depressão e, mesmo quando funcionam, habitualmente demoram entre três a oito semanas a ter efeito. A cetamina, que não funciona via a serotonina ou norepinefrina, pode tratar a depressão muito rapidamente, dentro de horas após a administração.
 
Através de estudos realizados em ratinhos, os investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Maryland e do Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH, sigla em inglês), nos EUA, testaram os efeitos de vários metabolitos da cetamina (químicos produzidos pelo metabolismo da cetamina). 
 
O estudo focou-se num metabolito denominado hidroxinorcetamina, um composto que se pensava que não tinha efeitos psicoativos. Verificou-se que se a transformação da cetamina em hidroxinorcetamina fosse bloqueada, a ação antidepressiva da cetamina era impedida. No entanto, os investigadores verificaram que a hidroxinorcetamina apresentava efeitos antidepressivos sem os efeitos secundários associados à cetamina.
 
Na opinião de Carlos Zaratem, um coautor do estudo, esta descoberta altera o conhecimento de como este mecanismo antidepressivo rápido funciona e poderá conduzir ao desenvolvimento de tratamentos mais robustos e seguros.
 
Os investigadores constataram que as ações anestésicas e dissociativas da cetamina se devem ao facto de este fármaco bloquear um recetor específico do glutamato, o recetor de glutamato NMDA.
 
Os investigadores tinham assumido que a cetamina atuava como um antidepressivo através do mesmo mecanismo. Contudo, isto não é verdade, uma vez que a hidroxinorcetamina não inibe o recetor NMDA. Em vez disso, a hidroxinorcetamina parece ativar um outro tipo de recetor de glutamato, o AMPA. 
 
Todd Gould refere que a hidroxinorcetamina funciona provavelmente, direta ou indiretamente, na depressão através destes recetores AMPA.
 
"Durante anos, temos estado à procura de formas de tratar a depressão mais rapidamente e eficazmente. Estes resultados abrem novas e entusiasmantes perspetivas para a primeira nova geração de compostos antidepressivos nos últimos 30 anos”, concluiu Scott Thompson.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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