Depressão crónica acelera processo de envelhecimento

Estudo publicado na revista “PLoS ONE”

08 abril 2011
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A depressão major está associada ao envelhecimento prematuro das células do sistema imunitário, o que poderá tornar as pessoas mais susceptíveis a outras doenças, sugere um estudo publicado recentemente na revista “PLoS ONE”.
 

Inicialmente considerava-se que a depressão major era uma doença que afectava unicamente o cérebro, mas agora os investigadores acreditam que esta patologia está também associada a outros danos físicos. O primeiro autor do estudo, Owen Wolkowitz, da University of California, San Francisco (UCSF), nos EUA, explica que os indivíduos deprimidos são mais susceptíveis de desenvolverem patologias associadas ao envelhecimento, incluindo diabetes, doenças cardiovasculares, osteoporose e demência.
 

De forma a estabelecer uma associação entre a depressão e os danos físicos, esta equipa de investigadores explorou o envelhecimento do sistema imune, medindo o encurtamento dos telómeros nas células imunitárias. Os telómeros são pequenas estruturas de ADN e proteínas que protegem as extremidades dos cromossomas e actuam como um relógio biológico controlando o tempo de vida das células. A diminuição do tamanho dos telómeros pode indicar o início de muitas doenças associadas à idade e mortalidade precoce, podendo assim funcionar como um indicador da longevidade humana.
 

Para este estudo, os investigadores compararam o tamanho dos telómeros de 18 indivíduos que sofriam de depressão major e que não estavam a tomar antidepressivos, com o tamanho dos telómeros de 17 indivíduos saudáveis. Apesar de os telómeros dos indivíduos deprimidos não diferirem globalmente dos saudáveis, aqueles que sofriam de depressão crónica há cerca de nove ou mais anos e que não estavam a ser tratados apresentavam uma diminuição significativa no tamanho dos telómeros, mesmo após os investigadores terem tido em conta a sua idade cronológica. O grau de encurtamento dos telómeros nas pessoas deprimidas correspondia a cerca de sete anos de aceleração do envelhecimento celular.
 

O estudo também revelou que o encurtamento dos telómeros estava associado a níveis mais elevados de inflamação e stress oxidativo, dois sinais relacionados com os danos celulares e envelhecimento prematuro. Os autores do estudo sugerem que o encurtamento dos telómeros na depressão crónica poderá reflectir a exposição cumulativa a substâncias bioquímicas stressantes que promovem a morte celular e aumentam a probabilidade da doença física.
 

Em comunicado de imprensa, a co-autora do estudo Elizabeth Blackburn revela que “embora os resultados do estudo possam ser deprimentes, há uma boa notícia: o estilo de vida, tal como a prática de exercício físico e a dieta estão associados a telómeros mais longos.
 

Assim, embora a nossa história pessoal tenha influência, é possível que aquilo que fazemos hoje possa influenciar a nossa vida futura.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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